sábado, fevereiro 26, 2005

Nova Coluna no “Capitolio.ORG”

Como muitos já devem ter descoberto, começei a contribuir para o novíssimo Capitolio.ORG, um projeto desenvolvido por um grupo audacioso de jovens autores de viés liberal. Polêmicos, incisivos, irônicos, inteligentes, esses garotos (é isso mesmo, garotos: com 28 anos, sou o ancião dessa turma) pensam grande: o Capitolio.ORG nasce como uma alternativa tanto à mídia chapa-branca dominante quanto aos veículos já consagrados dos liberais e conservadores brasileiros, como o pioneiro Mídia sem Máscara. Gente nova, idéias novas, polêmica e inteligência: exatamente o que o precisamos para romper com o consenso esquerdista, retrógrado e terceiro-mundista que impera sobre o pensamento brasileiro. Como eu poderia dizer não a uma oportunidade como essa?

Meu primeiro artigo, “A Doença do Anti-Americanismo”, já está no ar. Convido todos os leitores do “Livre Pensamento” a visitarem o Capitolio.ORG e conferirem a qualidade e inteligência da turma jovem que decidiu encarar o desafio de trazer (mais) sangue novo para o debate sobre a realidade brasileira e mundial.

Quem acompanha este blog regularmente pode ficar tranquilo: o “Livre Pensamento” continua, embora provavelmente sendo atualizado apenas uma ou duas vezes por semana. Aqui continuarei fazendo o que tenho feito desde o começo: ajudar a desmistificar o Liberalismo e mostrar o “caminho das pedras” para os que querem entendê-lo.

Saudações Libertárias,

Luiz Simi.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Liberalismo para Leigos, Lição 5: Interesse Próprio

Um dos grandes temas das discussões filosóficas e políticas de ontem e hoje é o elusivo conceito da “natureza humana”: o que motiva as pessoas? O que define o comportamento humano?

Muitos leitores certamente estão familiarizados com as posições antagônicas de dois dos grandes pensadores iluministas, Russeau e Hobbes. O primeiro defendia, de forma concisa, que o Homem é naturalmente bom, mas as instituições corrompem; o segundo cunhou a famosa frase, “o Homem é o lobo do Homem”, para ilustrar a suposta natureza maléfica do ser humano, que deveria então ser controlado por instituições que o impedissem de prejudicar a si mesmo e a outros. Desnecessário dizer que, na era de cinismo em que vivemos, Hobbes é considerado muito mais acurado nas suas descrições das motivações humanas do que seu grande oponente.

Mas não é na obra desses pensadores que encontramos o entendimento real sobre a motivação humana. Apesar de opostos em suas conclusões, tanto Russeau quanto Hobbes falharam em suas análises por cair na mesma armadilha: tentar identificar elementos morais nas bases do comportamento humano, sendo que a moralidade é um traço cultural, e portanto posterior à existência do Homem. Além disso, as amplas generalizações que ambos faziam pouco contribuíram para o entendimento da diversidade de comportamentos que as pessoas apresentam. O simples fato de que existem tanto pessoas que enquadram-se no modelo de Russeau quanto no de Hobbes é sinal de que nenhum dos dois oferece uma resposta definitiva. Devemos pois voltar nossa atenção a um terceiro autor que conseguiu resolver o enigma: John Locke.

Ao invéz de buscar na moral as bases do comportamento humano (embora entendesse que os homens são naturalmente seres morais), Locke focou-se não em como as pessoas agem, mas no porquê da sua ação. E com base nessa observação, Locke concluiu que o interesse próprio é a base da motivação dos seres humanos.

Podemos dizer com segurança que a descoberta de Locke foi fundamental para a grande revolução liberal que mudou a face do planeta, derrubou o Absolutismo e o Feudalismo, e abriu as portas para a revolução industrial e a economia de mercado. Poucos autores tiveram tanto impacto na história do pensamento humano quanto ele.

O interesse próprio é a resposta que tanto Rosseau quanto Hobbes não puderam encontrar. Em nome dos nossos interesses pessoais podemos agir de forma nobre ou vil, autruísta ou egoísta, pacífica ou violenta. O bem e o mal são diferentes formas de buscar satisfazer nossos desejos e necessidades. O mais desprendido dos seres age por interesse próprio; ele pode considerar que está “fazendo a coisa certa” ao ajudar o próximo, e tira uma satisfação particular, absolutamente pessoal de seguir esse princípio. Da mesma forma, o ladrão que mata sua vítima para apossar-se dos seus bens é movido pelo interesse próprio.

A principal forma que os seres humanos têm de buscar seus interesses pessoais é organizando-se em sociedade. Enxergamos pois a sociedade como o meio que os indivíduos usam para alcançar seus fins, não um fim em si mesmo.

No coração da organização social está a compreensão racional e intuitiva de que a cooperação é o melhor caminho para alcançar nossos objetivos. Ao ajudar os outros a obterem o que desejam, obtemos deles ajuda para satisfazer nossos próprios desejos. A ordem social não se mantém porque um governo a impõe; ele emerge e desenvolve-se porque é a forma mais eficiente que os homens encontraram de buscar melhorar seu padrão de vida e ampliar seu conforto. Se somos movidos por interesse próprio, não é racional impedir as pessoas de buscarem atender suas necessidades e desejos; isso impediria a organização em sociedade de justamente exercer sua função central.

O interesse próprio, como o nome já indica, é algo pessoal, individual. Assim sendo, apenas o indivíduo é capaz de entender com precisão o que deseja; um indivíduo não é capaz de entender os desejos de outros com a mesma clareza e riqueza de informação que compreende os seus próprios. Assim, racionalmente, somente o indivíduo é em princípio capaz de decidir qual é o melhor caminho para atingir seus próprios objetivos. Daí depreendemos que os indivíduos precisam de uma esfera de liberdade de ação que lhes permita buscar o caminho mais eficiente para os seus objetivos com base em suas próprias habilidades e conhecimento. Essa esfera é definida na forma de direitos inalienáveis: vida, liberdade (compreendida como ausência de coerção por terceiros), propriedade (para usurfruir livremente dos frutos do seu trabalho), e a busca da felicidade. Assim, entendemos que a violação desses direitos representa o mal, por impedir as pessoas de perseguirem seus objetivos; e qualquer coisa que as auxilie nessa busca, sem violar os direitos de ninguém, é classificável como bom.

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar que sempre existirão aqueles que procuram satisfazer seus desejos de forma violenta, tirando dos outros o que querem. Daí a nescessidade do Estado. A ele é dado o monopólio do uso da força, e a autoridade para usá-la apenas dentro de regras gerais, conhecidas e previsíveis, para que aqueles que tentam atingir seus objetivos de forma parasitária sejam punidos e impedidos de prosperar.

Da nescessidade de garantir a justiça no uso da coerção, surge o conceito do Império da Lei: que todos devem ser tratados pelo Estado da mesma forma, sem distinção de nenhum tipo. Ao garantir tratamento igualitário de todos pela Lei, busca-se impedir que o Estado interfira nos direitos fundamentais de cada cidadão de forma arbitrária ou discriminatória. Somente assim é possível criar um ambiente social em que as habilidades, interesses e conhecimento de cada um possam ser empregados em sua máxima eficiência.

Em suma: o interesse próprio não é negativo, nem nescessariamente sinônimo de egoísmo ou ganáncia. Somente sua busca de forma parasitária, violando os direitos das outras pessoas, é condenável. Isso será objeto de outro artigo.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Nova Coluna no site "Liberdade Econômica"

Um artigo inédito meu, "Falácias do Pensamento Econômico Brasileiro", está online no site "Liberdade Econômica", dedicado à divulgação dos conceitos liberais em economia e à crítica do intervencionismo estatal.

O "Liberdade Econômica" é sem sombra um dos melhores sites em língua portuguesa dedicados aos aspectos econômicos do liberalismo, e sinto-me honrado e feliz em poder contribuir com minhas toscas linhas ao esforço de Fernando Olszewski, Danilo Querino, Alex Pedro e Leonardo Bruno em lançar um pouco de luz sobre o obscurantismo intervencionista imperante.

Convido todos os leitores do "Livre Pensamento" a visitar o "Liberdade Econômica" e conferir por si mesmos a qualidade dos artigos desses excelentes autores.


Luiz Simi.

domingo, fevereiro 20, 2005

Os Cristãos-Novos da Ortodoxia Econômica

Pela segunda vez, vou quebrar a regra não-escrita do "Livre Pensamento" e vou fazer um comentário conjuntural, por assim dizer.

Nos últimos dois anos (ou mais, se pensarmos no governo anterior), testemunhamos um fenômeno que seria digno de um estudo científico aprofundado, tamanha o seu (aparente) impacto e abrangência: a súbita e ampla conversão de uma parcela significativa das esquerdas (inclusive da militância) à ortodoxia na área econômica.

Da noite para o dia, observamos gente que sempre defendeu as maiores barbaridades em termos econômicos (como calote da dívida externa, rompimento de acordos internacionais, estatização ou re-estatização de empresas em áreas “estratégicas”, desapropriações maciças no campo, controles de preços, e outros intervencionismos de toda sorte) defendendo com um vigor inédito políticas de responsabilidade fiscal; um receituário monetarista extremamente ortodoxo (talvez até demais); e uma política econômica sem “invenções”, pautada no respeito aos contratos. O que houve? Terá sido a esquerda brasileira atingida por um facho de luz (quiçá divina) que a fez perceber seus erros e decidir por trilhar o caminho do bom-senso e da lógica?

Embora esse pensamento seja alentador, é infelizmente falso. O que temos é na verdade algo que podemos chamar, na melhor das hipóteses, de uma hoste de cristãos-novos.

Tal qual os judeus convertidos ao cristianismo à força, a esquerda entoa o mantra da ortodoxia e faz questão de mostrar seu comprometimento com a nova fé; mas na privacidade de sua morada e de seus pensamentos, continua a crer na religião que publicamente abandonou. E onde quer que as pessoas não estejam olhando, sempre que a oportunidade aflora, retoma os velhos hábitos e entoa (fervorosamente) os cânticos da fé cuja prática aberta lhe é negada pelas circunstâncias.

Claro que aqui não pretendo, de forma alguma, comparar as práticas do judaísmo com as da esquerda, ou efetuar um julgamento moral das razões históricas que levaram às conversões da época; apenas comparo as circunstâncias e características de um evento com as de outro. Comparar o judaísmo às crenças da esquerda, obviamente, é uma injustiça com a mais antiga religião monoteísta do mundo, rica em preceitos éticos e mãe do cristianismo. Restrinjo-me apenas, pois, à analogia histórica.

Tal qual com os cristãos-novos, não restava à esquerda muita escolha. O intervencionismo keynesiano, favorito absoluto da academia e da política brasileiras, mostrou-se insustentável; depois de décadas de uso contínuo, apresentou uma conta altíssima em termos de inflação, dívida pública, baixa competitividade e, mais sério, oportunidades perdidas. As políticas econômicas de inspiração esquerdista (como os Planos Cruzados da vida) criadas para equacionar o passivo do intervencionismo pregresso (usando, claro, de ainda mais intervencionismo), baseadas em premissas absolutamente falhas sobre como a economia (e a cabeça das pessoas) funciona, mostraram-se absolutamente ineficientes, quase suicidas. Somente quando a esquerda moderada adotou políticas minimamente responsáveis, embasadas nos pensamentos monetarista e clássico, o desastre completo foi evitado. Restou à esquerda radical, incubida de governar o país pelo voto popular, apenas uma opcão: curvar-se diante da realidade e prosseguir com as políticas herdadas, ou correr o risco de lançar o país no caos com as políticas irracionais que sempre defendeu. Em um movimento de auto-preservação (e não conversão verdadeira como muitos pensam), os novos ocupantes do poder e seus militantes mais devotos esconjuraram seus votos pregressos e aceitaram os sacramentos da fé que sempre condenaram.

(E não me venham esquerdistas imberbes me dizer que os planos econômicos da Nova República e do governo Collor não eram de esquerda; ainda tenho na memória a imagem nítida da sra. Maria da Conceição Tavares, em entrevista à televisão, defendendo o Plano Cruzado como a redenção da economia nacional. Visto que todos os planos que o sucederam até o Real eram praticamente idênticos em formato, ferramentas e objetivos, o apoio ao original certamente significa aceitação de todas as suas cópias).

Mas que evidências temos que de essa conversão não é real, mas apenas um movimento tático de auto-preservação? Basta observar as ações da esquerda no poder fora das esferas relacionadas à política econômica propriamente dita.

Enquanto Banco Central e Ministério da Fazenda discorrem sobre a necessidade de previsibilidade, rigidez nas metas fiscais, controle da inflação e respeito aos contratos (e com isso provêm o discurso repetido ad nausean por militantes, simpatizantes e apoiadores em geral), os braços políticos do governo apresentam ao país um arroubo autoritário atrás do outro: tentativas de encabrestar a imprensa, a produção artística e cultural, a universidade. Enquanto as autoridades econômicas defendem a necessidade de respeitar contratos e a propriedade, ministros de Estado comparecem a atos oficiais de entidades que têm como sua prática corriqueira a exata violação desses preceitos e o desrespeito aos elementos mais fundamentais do Estado de Direito. Ao mesmo tempo que fala da necessidade de responsabilidade fiscal, o governo tenta impor à sociedade um confisco tributário ainda mais violento e injusto do que o feito por seu antecessor, estrangulando os setores produtivos que não dependem do governo para sobreviver e que não estão ligados à estrutura sindical que o PT comanda. E com a mesma fleuma que defende o respeito aos acordos internacionais, à democracia e à transparência administrativa, o governo atual confraterniza-se com regimes africanos e latino-americanos construídos exatamente sobre a violação desses princípios.

Esse mesmo comportamento ambíguo pode ser visto entre os militantes: ao mesmo tempo que defendem ferrenhamente a política econômica do governo (a mesma que, na gestão anterior, era denunciada como “neoliberal” e “entreguista”), citam Cuba como um exemplo para a América Latina, defendem Hugo Chavez e o seu regime liberticida, e pregam o anti-americanismo mais basal e rasteiro.

Temos então um caso coletivo de dupla personalidade? Estarão tanto partidos como militantes da esquerda mergulhados em uma luta espiritual, com dois espíritos diferentes disputando o mesmo corpo? Certamente não. A explicação é muito simples: a conversão da esquerda à ortodoxia econômica não é sincera. As palavras são repetidas, os mantras são entoados, mas não existe compromisso intelectual e moral com os princípios que essa ortodoxia defende. A esquerda continua não acreditando em respeito a contratos, propriedade privada, desregulamentação, livre iniciativa, democracia e direitos humanos; apenas repete os chavões da ortodoxia porque é conveniente no momento fazê-lo. Os corações e mentes da esquerda não estão onde está seu discurso mercadista; estão onde a sua prática desvinculada da economia está. E nesse outro lado da esquerda que devemos buscar visualizar o modelo em que ela realmente acredita. E esse modelo é o que sempre foi: tirania, pura e simples.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Liberalismo: Político ou Econômico?

Frequentemente defronto-me com pessoas que dizem o seguinte: “sou totalmente favorável ao liberalismo político, mas não concordo com o econômico”. Via de regra, essas pessoas identificam o primeiro com democracia, direitos humanos, liberdade política e tolerância religiosa; o segundo, com livre mercado, capitalismo, e de forma um tanto paradoxal (e frequentemente negativa), grandes corporações multinacionais e globalização. O tal do liberalismo econômico têm até um apelido especial: seria o tal do “neoliberalismo” tão vilipediado pelas esquerdas. Não raro, esse tal de neoliberalismo é responsabilizado por todas as mazelas do mundo, desde a fome na África até o tsunami na Ásia. Não o vi ainda ser condenado pela crucificação de Cristo, mas isso é só uma questão de tempo.

Na realidade, essa suposta divisão entre liberalismo político e econômico (ou “liberalismo bom” e “liberalismo mau”) é uma falácia, que mesmo alguns liberais convictos aceitam. Devo dizer que eu mesmo, quando começei a estudar a filosofia liberal, também incorria no mesmo erro. Mas erros existem para ser corrigidos; tentemos então fazê-lo aqui.

A raiz desse erro é histórica, e remonta aos tempos do Iluminismo. Duas grandes correntes de pensamento eram conhecidas como “Liberalismo”: a inglesa (cujos menbros eram também chamados de “whigs”) e a francesa. Ambas tinham em comum a luta contra o poder absoluto dos reis, a importância da limitação do poder do Estado, e a valorização da razão como instrumento para a compreensão da realidade. Mas partiam de conceitos diferentes de liberdade e produziram, por conseguinte, teorias a respeito do Estado e da economia também diferentes.

O Liberalismo Anglo-Saxônico

Para os liberais ingleses, liberdade significava a ausência de coerção, principalmente estatal, sobre o indivíduo. O objetivo central não era necessariamente constituir um modelo de governo participativo (até porque ele já existia, na forma do Parlamento); era garantir que as autoridades, independente de como chegassem aos seus postos, tivessem seu poder de arbítrio sobre as vidas das pessoas claramente delimitado. Para os liberais ingleses, impedir que o Estado usasse seu poder de forma arbitrária era muito mais importante do que a forma como ele seria estruturado; mas mesmo assim, foi dos trabalhos de pensadores como Locke e seus antecessores que surgiram os conceitos da separação dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), independência dos juízes, leis como regras gerais e impessoais, e direitos inalienáveis do indivíduo à vida, liberdade, propriedade e busca da felicidade. Tais idéias seriam mais tarde popularizadas no continente europeu por Montesquieu.

O Liberalismo Francês ou Continental

Essa relativa indiferença inglesa à questão da organização política do Estado contrasta fortemente com a apaixonada defesa dos liberais franceses da democracia. Desde a sua incepção, o liberalismo francês tinha como foco o desenvolvimento e a implantação da democracia. Enquanto na Inglaterra o valor liberal central era a defesa da liberdade do indivíduo contra qualquer tentativa de colocá-lo a serviço da vontade de terceiros, na França a organização da sociedade em princípios democráticos e participativos era o foco principal. Por causa disso, o liberalismo francês é chamado por alguns autores de “democratismo”.

O Conflito de Idéias

Embora as diferenças entre os liberalismos inglês e francês possam parecer menores, na realidade são muito profundas, e em última instância, irreconciliáveis.

Para os franceses, a democracia era um valor moral em si mesmo. Um governo democrático não era apenas melhor, mas também moralmente superior a qualquer outra forma de organização. A vontade popular, representada por mecanismos democráticos, era soberana. Mas a consequência natural dessa linha de raciocínio é considerar que, por representar a vontade popular, um governo democrático não poderia estar errado nunca. Qualquer decisão tomada com base no consentimento da maioria seria sempre correta, e um governo democrático não precisaria pois ser restringido de forma alguma; afinal, como poderia a vontade popular ser contrária aos interesses do próprio povo?

Na vertente econômica, o democratismo francês e sua ênfase na igualdade deu origem a consistentes ataques aos princípios da propriedade privada. Foi entre os liberais franceses que surgiu pela primeira vez a idéia de que a propriedade privada seria um elemento de perpetuação e aprofundamento das desigualdades, ao tornar alguns homens mais poderosos do que outros. No seu afã democratista, os liberais franceses não viam problema algum em atribuir ao Estado (democrático, claro) a função de coordenar e controlar a atividade econômica, para que a igualdade de tratamento perante a lei pudesse ser extendida também ao campo das riquezas materiais.

Já no pensamento liberal inglês, não existe diferença alguma entre questões econômicas e políticas. Os princípios que restrigem a ação do Estado na esfera privada também o fazem na econômica.

Os ingleses não atribuíam à democracia nenhum valor moral inato. Para eles, a democracia não era preferível por ser moralmente superior ou por representar a vontade da maioria, mas por ser a forma mais eficiente de defender os direitos das minorias, inclusive a menor delas: o indivíduo. Longe de ser uma ferramenta de imposição da igualdade, a democracia era a melhor forma de defender as diferenças entre os indivíduos e garantir-lhes liberdade pessoal. E como qualquer governo, a democracia também deveria ser submetida a controles e restrições para evitar abusos e arbítrio por parte dos representantes eleitos.

E ao defender que cada indivíduo possui uma esfera de ação em que ele é soberano, que a propriedade é um direito inviolável e que todos são iguais perante a lei, o liberalismo inglês efetivamente criou as bases para o capitalismo moderno. Livres para perseguir seus objetivos pessoais, certos do direito de usurfruir dos resultados do seu trabalho, e seguros de que a justiça os trataria de forma isonômica e imparcial, os ingleses gradualmente construíram uma cultura de empreendimento que levaria à revolução industrial e à destruição das estruturas feudais e mercantilistas ao redor do mundo.

A Expansão (e Obscurecimento) do Liberalismo

Embora tenha sido por meio dos pensadores liberais franceses que as idéias democráticas expandiram-se pelo mundo, foi por meio do capitalismo inglês (e depois americano) que os conceitos do Império da Lei, da liberdade individual e do controle da ação do Estado disseminaram-se. Mas com o tempo as idéias democratistas francesas radicalizaram-se, com uma ênfase crescente no poder absoluto da vontade popular e um ataque cada vez mais feroz à propriedade privada. Desse processo nasceria o chamado socialismo utópico, que levaria depois ao marxismo e a outros coletivismos. Em sua radicalização o liberalismo francês transformou-se no seu oposto completo: a exata tirania que combatia na sua origem.

Mas já então as idéias liberais originais (inglesas e francesas) tinham ganho o mundo, e gradualmente incorporaram-se no pensamento dominante político e econômico. Com o tempo, a democracia passou a ser considerada como algo dado no Ocidente, e suas raízes no liberalismo anglo-saxônico foram esquecidas. Mas o avanço do capitalismo viu-se continuamente atacado pelos pensadores e líderes influenciados pelos radicalismos derivados do liberalismo francês, em especial a crítica à propriedade privada. A origem anglo-saxônica do ideal democrático moderno (e seu embasamento nos mesmos princípios éticos e filosóficos do capitalismo) foi esquecida; ou pior, passou a ser atribuída aos franceses...

Concluindo...

Quando falamos de liberalismo, estamos claramente nos referindo à tradição filosófica iniciada pelos pensadores ingleses do século XVII e continuada pelos revolucionários norte-americanos dos séculos XVIII e XIX, e não à escola francesa, que eventualmente degeneraria no socialismo. Não faz sentido discutir-se liberalismo político e econômico, pois tal diferenciação não existe: os mesmos princípios que garantem a liberdade política garantem a liberdade econômica. Um não existe de forma completa sem o outro. Essa distinção foi uma criação dos radicais franceses, com o objetivo de melhor atacar o capitalismo e tentar desvirtuar sua relação direta com a democracia e a liberdade.

Afinal, por qual razão os liberais ingleses chamariam o aspecto econômico da sua doutrina de laissez-faire?

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O Mito da “Ditadura do Capital”

De tempos em tempos, nos debates de que participo em fóruns diversos da internet, surge um argumento (se é que podemos chamá-lo assim) que parece não morrer, por mais que seja espancado e refutado. Como uma fênix da ignorância, o argumento da “Ditadura do Capital” sempre ressurge, e é empunhado por seus defensores como uma espada contra a democracia, o livre mercado e o próprio conceito de liberdade.

Apesar de reconhecer que o esforço de refutar tais argumentos é fútil (pois certas cabeças tendem a ser pouco permeáveis a qualquer coisa que não venha estampada como “progressista”), o farei mesmo assim. Não em benefício dos seus defensores, mas dos leitores não-liberais que são ocasionalmente submetidos à essa bobagem, e dos colegas liberais que por vezes sentem dificuldade em estruturar um contra-argumento claro.

Quais são os elementos básicos da“teoria” da “Ditadura do Capital”? Obviamente, as raízes podem ser encontradas em Karl Marx.

A idéia é a seguinte: a democracia representativa é na realidade uma farsa. Os grandes donos do capital (sejam eles quem forem) na realidade orquestram um grande teatro para apaziguar as massas, fingindo que elas têm poder. Para garantir que os resultados sejam sempre os que eles desejam, os grandes capitalistas usam de propaganda, manipulação dos fatos, filtragem de informação e instituições político-culturais sutilmente viesadas para beneficiá-los. A população, manipulada pela mídia e alienada pelo “fetichismo da mercadoria” (que pode ser traduzido como a falta de compreensão, pelo trabalhador, do seu papel no processo produtivo, que leva os individuos a enxergarem o mercado como mera troca de bens e não de produtos do trabalho humano e portanto, uma interação entre pessoas), placidamente faz o que os capitalistas desejam, imaginando que têm liberdade quando na verdade é escravizada. Um elemento que foi adicionado à essa “teoria” em anos recentes é a idéia de que o consumismo é um reflexo dessa ditadura: os donos do capital usam a mídia para nos influenciar a comprar coisas que não queremos ou não precisamos, de forma compulsiva, quase doentia, e usam essa compulsão para nos controlar.

Alguém subitamente lembrou-se da série de cinema “The Matrix“? Pois é isso mesmo: a teoria é de que nós estamos presos dentro de uma, só que no lugar das máquinas, temos os “donos do capital” controlando tudo.

Como podemos refutar esse fascinante argumento?

Existem duas falhas fundamentais na “teoria” (além de inúmeras menores, acessórias). Vamos a elas:

1) Coordenação Perfeita dos Dominadores – para que os donos do capital sejam capazes de empreender uma manipulação social de tão vasto alcançe e com tamanho grau de perfeição, precisamos supor que eles coordenam seus esforços individuais de forma absolutamente perfeita. Não podem ocorrer conflitos entre eles, nem desavenças sobre repartição de poder, métodos a serem empregados, divisão de mercados, etc. Se elas existirem, obviamente a dominação não será eficiente, e os dominados poderão perceber o que está acontecendo pela contradição de estímulos recebidos de diferentes facções dos donos do capital.

Marx (o pai da criança) percebeu essa falha. A solução que ele concebeu é a seguinte: na verdade, não existe a necessidade de coordenação consciente entre os donos do capital. Por virtude da classe social de que fazem parte, os capitalistas possuem um certo conjunto de padrões de pensamento e lógica designados naturalmente para garantir sua sobrevivência e perpetuação. Ou seja, as pessoas pensam de acordo com sua classe social. Por isso, teríamos uma “lógica burguesa”, uma “lógica proletária”, e assim por diante. A coordenação das ações necessária para o sucesso da dominação ocorre de forma subconsciente, com todos os capitalistas agindo em prol da sua classe social sem sequer perceber isso.

Basicamente, o argumento é que somos todos máquinas, incapazes de pensamento independente. Nosso “software” é determinado pela nossa posição social. Claro, fica a pergunta: o que faria alguém que nasceu pobre e ficou rico “trocar de software”? Ou como podem ser idênticos os interesses e objetivos, por exemplo, do dono de uma grande fábrica de tecidos, um investidor que lida com imóveis, e o conselho de acionistas de uma grande corporação multinacional?

A idéia de que a posição de alguém na sociedade determina (e não meramente influencia) a forma do seu raciocínio nada mais é do que uma grosseira antropomorfização do conceito de classe social: pois se todos pensam de acordo com a sua classe, na verdade quem pensa é a classe, não as pessoas. Mas como pode a classe social pensar, se ela não têm existência material ou intelectual separada dos indivíduos que a compõe?

2) Coerção Perfeita, Permanente e Total – ao definir que o capital exerce uma ditadura sobre a sociedade, a “teoria” implicitamente denota que os donos do capital usam poder de coerção sobre as pessoas, forçando-as a realizar o que eles desejam. Essa coerção não seria do tipo direto (ou seja, ameaça do uso, ou emprego efetivo, da força), mas similar à fraude: manipulação dos dados com que as pessoas operam, de modo a criar situações em que as únicas decisões racionais possíveis são aquelas que o fraudador deseja que sejam tomadas.

Nós sabemos que é possível, de fato, criar esquemas de fraude sofisticados o suficiente para ludibriar simultaneamente uma grande quantidade de pessoas. Também sabemos que existem pessoas que tendem a ser ludibriadas com mais facilidade do que outras. E sabemos que existem indivíduos cujo ceticismo beira a paranóia, e que por isso mesmo são muitíssimo difíceis de ludibriar. Ou seja: dentro de um grupo suficientemente grande de pessoas, encontraremos indivíduos que podem ser ludibriados em uma dada situação e outros que não.

Pois bem. Para que a ditadura do capital seja real, precisamos aceitar que os mecanismos usados pelos dominadores são de uma sofisticação tão fantástica que lhes permite criar uma relação de dependência psicológica com suas vítimas, não por dias, semanas ou meses, mas por gerações. E esses mecanismos de fraude devem ser sofisticados o suficiente para enganar até os mais incrédulos indivíduos, ou pelo menos neutralizá-los. E eles devem agir de forma contínua e impessoal, sem as conexões pessoais de confiança ou o apelo à ganância ou vaidade que vemos sendo frequentemente usados pelos fraudadores.

Essa visão representa, na verdade, uma má interpretação da forma como a sociedade é organizada de proporções colossais. De fato existem elementos na organização da sociedade que delimitam nossas escolhas e estabelecem quais padrões de comportamento são ou não aceitáveis: a tradição, o idioma, a religião, e a moral. Mas esses elementos (que podemos genericamente chamar de cultura) não são, de forma alguma, produto de um plano consciente ou deliberado de um certo grupo social: são resultado de uma evolução expontânea e gradual, ao longo de incontáveis gerações. E tampouco são efetivamente limitadores das nossas opções; sem eles, não haveria civilização, e as opções que cada indivíduo teria à sua disposição seriam sem sombra de dúvida muito menores. A base da vida civilizada, a divisão do trabalho (e o fantástico aumento da produtividade que ela traz) não seria possível, pois ela só é viável dentro dos termos de uma cultura estabelecida. A cultura é o alicerce sobre o qual é construído o edifício das possibilidades individuais, o conjunto de parâmetros que nos permite usar a razão de forma eficiente.

Ou seja: na “teoria” da “Ditadura do Capital” confunde-se cultura com coerção, e vê-se no processo contínuo de mudança, aprimoramento e descarte de instituições manipulações de um grupo social específico, coeso, todo-poderoso e (aparentemente) imortal. E isso porque eu achava que o Grande Irmão de “1984” era assustador...

Em suma: a ditadura do capital é um mito, e dos mais perniciosos (e ilógicos) existentes. Têm virtualmente todos os componentes de uma boa lenda urbana, mas não passa disso. Não que não exista gente rica e inescrupulosa no mundo, claro; mas daí a aceitar uma “teoria” que mais parece um roteiro da série “Arquivo X”, vai uma longa distância...

Web Ring Liberal Online

Por iniciativa de alguns conhecidos liberais da blogosfera (Júlio Belmonte, Luis Afonso do “Nadando contra a Maré... Vermelha”, Lucas Mendes do “O Austríaco”, vários membros de mail-lists liberais) e este humilde escriba, está no ar o Web Ring Liberal. Essa iniciativa visa colocar em contato os vários blogs e sites liberais existentes na internet brasileira, aumentando a visibilidade desse verdadeiro “underground” político, econômico e filosófico.

Se você têm um blog ou site dedicado ao liberalismo, o convite para participar do web ring está aberto. E se você é um navegante interessado no tema, agora existe um endereço na rede onde você pode encontrar os caminhos para o que está sendo produzido pelos liberais brasileiros online. Vale a pena conferir!

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Um mês de “Livre Pensamento”

Standing barefoot, frozen bloody hands
His musket clutched, an iron grip
For the cause, he has but one regret
That he’s only got one life to give


John Schaffer, “Valley Forge”


Pois é, hoje o “Livre Pensamento” completa um mês de vida. Para mim, certamente parece que bem mais tempo se passou...

Estou muito satisfeito com a repercussão do blog. Em média, o “Livre Pensamento” têm tido algo como 150 visitantes e 400 page views por semana! Na semana que ainda corre, tivemos os recordes diários de 150 page views (dia 8 de fevereiro) e 42 visitantes (9 de fevereiro). Depois da primeira semana no ar, o site nunca teve um dia sequer sem visitantes.

Quero aproveitar a oportunidade para agradecer àqueles que ajudaram a divulgar o “Livre Pensamento” de forma simplesmente fantástica: Luis Afonso do blog “Nadando Contra a Maré Vermelha” e articulista do “Mídia sem Máscara”, e Lucas Mendes do blog “O Austríaco”. O apoio, divulgação e incentivo que ambos me deram nesse primeiro mês superou qualquer coisa que eu pudesse esperar.

Agradeço também o apoio e incentivo recebido de muitos que dedicaram uma parte do seu tempo a ler minhas toscas linhas, criticá-las, elogiá-las e divulgá-las: Embaixador Meira Penna, Eduardo Levy do blog “Opiniões Contraditórias”, Joao Philippe do “Blog do Cético”, Guilherme Cardoso, Fernando Ludovico, Andrea Patrícia Ferreira, Pedro Garaude Neto, Gera Jacobsen, Felipe Farias, Duda Guerra, entre vários outros. Vocês são o que me faz ter ânimo para continuar escrevendo.

Como não poderia deixar de ser, agradeço à minha esposa, Rachel, pelo apoio e paciência sem paralelos. Sem ela, esse blog simplesmente não seria possível.

E é isso. Bola para frente! Como dizem os “companheiros” do outro lado da divisa ideológica, “a luta continua”!


Saudações libertárias,


Luiz Simi.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Ainda a Propriedade Privada

Hoje pela manhã, durante a minha peregrinação tradicional pelos meus sites de notícias preferidos, deparei-me com um artigo do economista Rodrigo Constantino intitulado “A Imoralidade de Robin Hood”. O artigo pode ser encontrado no site do jornalista Diego Casagrande, e é extremamente interesante e bem escrito. Mas o que me chamou a atenção foi a excelente defesa que o autor faz do direito à propriedade privada, com base em um argumento que nunca tinha me ocorrido: a posse que cada um de nós têm do próprio corpo, e por consequência, dos produtos que criamos com as capacidades que ele possui. A partir daí, ele esclarece a relação entre trabalho e capital e aproveita para desancar a teoria da mais valia. Excelente! Reproduzo aqui o trecho do artigo relevante para a nossa discussão. Os grifos são meus:

”Um princípio moral básico é o direito à propriedade, começando pelo seu próprio corpo. Se não somos os donos dele, não passamos de escravos, de seres sacrificáveis para algum outro objetivo alheio qualquer. A conseqüência natural desse direito básico é que devemos ser donos também dos frutos do nosso esforço físico ou mental, da nossa produção, seja física ou intelectual. Há uma confusão aqui, normalmente por parte dos marxistas, no conceito de exploração dessa produção. Um trabalhador que não é autônomo, mas sim faz parte de uma organização maior, não vive da venda de produtos do seu trabalho, mas sim da venda do seu trabalho em si. Os benefícios dessa divisão de trabalho já são amplamente conhecidos desde David Ricardo. Alguém que executa uma tarefa específica pode obter, via a troca voluntária, inúmeros bens e serviços, que seriam impossíveis individualmente. Ele não está produzindo os bens finais que demanda, mas sim trocando voluntariamente sua habilidade específica por dinheiro, apenas um meio de troca para a obtenção dos bens desejados. Como é algo voluntário, não há exploração. O conceito de mais-valia é falacioso, portanto. E o critério de justiça ou moralidade aqui parece evidente: que o indivíduo possa ser o dono daquilo que ele ou produziu ou vendeu voluntariamente como seu trabalho para outro produzir. Nem mais, nem menos!”

Sugiro a todos que visitem o site do Diego Casagrande e leiam os artigos de Rodrigo Constantino. São excelentes!

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Parabéns ao Povo Iraquiano!

Eu deveria ter postado isso antes, mas tudo bem. Antes tarde do que nunca...

Desta vez vou quebrar as regras nāo-escritas do "Livre Pensamento" e comentar sobre algo conjuntural: as eleiçōes no Iraque, ocorridas no fim do mês passado.

Pois é, finalmente a hora da verdade veio e se foi. O povo iraquiano (aquele que é "oprimido" pelas forças americanas e que "resiste" à "ocupação") teve a chance de ir às urnas para eleger um novo governo, pela primeira vez em sua história.

Apesar das ameaças dos terroristas (que alguns ainda têm coragem de chamar de "insurgentes" ou "rebeldes") e das declarações de líderes religiosos radicais contra esse "demônio" chamado democracia; do medo e da inseguranca; da intensa campanha negativa de certos segmentos da imprensa internacional (e de quase totalidade da imprensa brasileira); e da condenação (ou silêncio) quase unânime das esquerdas mundiais (inclusive do Partido Democrata nos EUA); as eleiçōes foram levadas adiante.

Em uma mostra de coragem silenciosa e resistência sem paralelos, milhōes de iraquianos foram às urnas. E em um único dia, sem disparar um único tiro, inflingiram aos terroristas internacionais, à viúvas de Saddan Hussein e a todos os inimigos da liberdade ao redor do mundo a mais devastadora derrota possível. Silenciosa mas firmemente, os iraquianos deixaram claro o que desejam: liberdade.

Não vou entrar aqui nos méritos ou deméritos da guerra no Iraque, ou se os EUA tinham razão ou não em empreendê-la; quem acompanha o que eu escrevo no Orkut, por exemplo, sabe que tenho fortes críticas ao governo Bush pelas atitudes que tomou e as justificativas que usou (embora elas nada tenham a ver com o anti-americanismo patológico que parece afetar tantos brasileiros nos dias de hoje). Mas os fatos falam por si mesmos: certo ou errado no começo, o fato é que o povo iraquiano sancionou o que os EUA têm feito e deram sua aprovação ao modelo que a administração Bush quer implantar: a democracia.

A estrada é longa e cheia de percalços, mas os iraquianos deram um passo importante. Que a luz da liberdade ilumine o caminho que esse povo sofrido mas heróico têm adiante.

E que o mundo entenda de uma vez por todas que o brado pela liberdade do Iraque nao vêm dos terroristas sanguinários que explodem bombas e emboscam as forças ocidentais nas estradas, mas dos cidadãos silenciosos que arriscaram suas vidas e desafiaram o medo pela esperança da liberdade. Democracia não é um fim em si mesmo, mas um caminho; que por esse caminho os iraquianos consigam alcançar a liberdade que eles (e todos os seres humanos) merecem.

Liberalismo para Leigos, Lição 4: Propriedade Privada

Hoje vamos discutir um tema que é tabu no Brasil: propriedade privada. Graças à décadas de pregação das esquerdas, defender o direito à propriedade tornou-se algo mal-visto, desprezado e temido por uma parte expressiva do stablishment intelectual brasileiro. A contínua erosão desse valor fundamental de qualquer sociedade livre têm sido frequentemente ocultada sob bonitos rótulos relacionados à “justiça social”, tais como a famigerada “função social da terra”. Mas felizmente, fora dos círculos da intelectualidade que cheira a mofo e dos partidos políticos de esquerda; entre as pessoas comuns, que não perderam o sentido do certo e do errado e que ainda apegam-se aos conceitos éticos e morais que estão fora de moda entre os grupos acima mencionados, a propriedade privada continua um conceito bastante popular. Isso é, ao meu ver, uma mostra de que certas mentiras podem ser contadas um milhão de vezes e continuarão sendo vistas como mentiras.

Em primeiro lugar, precisamos deixar algo muito claro: a propriedade privada não é um privilégio de alguns, mas um direito de todos nós. É sobre esse direito que estão construídas as relações de produção, os direitos políticos, e a liberdade individual. Privar o indivíduo do direto de possuir propriedade é um ataque aos próprios fundamentos da sociedade livre e da própria civilização.

Tão arraigado e fundamental é o direito à propriedade privada que mesmo os críticos mais ferrenhos do capitalismo não foram capazes de condená-la de forma total; Marx e os socialistas em geral pregam a abolição da propriedade privada dos meios de produção, mas nunca dos bens de uso pessoal, como roupas, utensílios domésticos, livros, mobiliário, ou outros ítems similares (embora no chamado “socialismo real” mesmo esses aspectos “corretos” da propriedade privada tenham sido frequentemente violados). Essa distinção pode parecer irrelevante, mas na verdade traz à luz um aspecto crucial da existência humana: nós somos criaturas territoriais, que manifestam esse aspecto de sua natureza por meio da posse e uso de bens que reservamos para nosso uso exclusivo. Posse e uso de propriedade é algo inerentemente ao ser humano. Os antigos entendiam isso muito bem: na Grécia clássica, mesmo aos escravos era extendido o direito à propriedade.

Mas esse aspecto primal, quase instintivo da propriedade não é o mais importante elemento na sua defesa. Precisamos entender qual é o papel que a propriedade privada desempenha na organização da sociedade para poder apreciar a sua real importância.

Em primeiro lugar, precisamos esclarecer porque a propriedade privada é um direito e não um privilégio. A razão é simples: a propriedade privada é a base de toda e qualquer transação econômica, independente do sistema econômico.

Imaginemos um exemplo muito simples: dois homens das cavernas (Joe e Moe) cada um possuidor de nada além de sua capacidade física e sua inteligência. Cada um usa de suas habilidades para criar algo para atender suas necessidades; digamos, Joe cria um machado e Moe faz uma manta de pele. Ambos criaram algo que é útil para a satistação das necessidades humanas a partir de recursos naturais que estavam livremente disponíveis. Ao transformar esses recursos em bens, Joe e Moe criaram objetos que são suas propriedades privadas. Digamos que Joe e Moe decidem livremente trocar os bens que criaram; Moe fica com o machado enquanto Joe fica com a manta. Cada um deles ficou com um bem que acredita atender melhor suas necessidades do que o que foi dado na troca. Joe e Moe trocaram entre si suas propriedades privadas, livremente e sem coerção. Ou seja: sem a propriedade privada, não existe atividade econômica. Mesmo os socialistas perceberam isso, e por essa razão nunca pregaram a eliminação completa da propriedade privada.

Além disso, não podemos ignorar o fato de que um dos elementos fundamentais na definição de um direito é a sua impessoalidade, por assim dizer; isso significa que um direito apenas é um direito de fato se não for possível prever de antemão quem desfrutará dele ou não. Hoje podemos dizer que os que detém a propriedade privada são beneficiados pela sua existência; mas não temos como prever quem deterá propriedade daqui a 10, 20 ou 100 anos. Ao aceitar apenas restrições econômicas à aquisição da propriedade privada (ao invéz das limitações por nascimento do Feudalismo, por exemplo), uma sociedade aberta garante o princípio da impessoalidade do direto.

Logo, a propriedade privada é um direito. Em princípio, nada existe no ordenamento jurídico de uma sociedade livre que impeça as pessoas de adquirirem propriedade. As restrições que existem são de natureza econômica: propriedade custa dinheiro para ser adquirida ou criada, e portanto nem todos podem arcar com o dispêndio necessário para obter todo e qualquer tipo de propriedade que desejarem. Mas o fato de que apenas alguns, e não todos, desfrutarão de um certo direto não é argumento para restringí-lo ou controlá-lo. Se assim fosse, deveríamos também admitir que o direto de ir e vir deveria ser restringido, já que nem todos podem viajar por razões econômicas; ou que o direito de liberdade de expressão deveria ser controlado, pois nem todos são capazes de expressar suas opiniões de forma clara ou convincente; ou que o direito de liberdade de culto e crença deveria ser de alguma forma cerceado, pois nem todos conseguem encontrar uma religião que satisfaça suas necessidades espirituais de forma plena. O absurdo óbvio dos exemplos acima deve ser suficiente para expor de forma clara quão absurdo é o ataque à propriedade privada, e como o sucesso na sua abolição abre o caminho para a destruição de todos os outros direitos que consideramos fundamentais em uma sociedade livre.

Os socialistas em geral certamente discordarão da minha defesa da propriedade privada como um direito. Muitos certamente reconhecerão a propriedade de bens de uso próprio como justa e acima de qualquer crítica; talvez até reconheçam o papel crucial que ela desempenha na atividade econômica. Mas certamente objetarão a inclusão da propriedade dos meios de produção. Essa, segundo muitos socialistas, é um privilégio e não um direito, uma ferramenta de exploração do trabalho pelo capital e de acumulação injusta de riquezas. Por isso, defenderão que os meios de produção devem ser coletivos, de modo que a acumulação de riquezas que eles proporcionam seja colocada a serviço de todos.

Sem entrar no mérito da famosa Teoria da Exploração do Trabalho (que discutiremos em um futuro próximo), essa argumentação e falha em vários aspectos.

Primeiramente, vêm a questão: porque a propriedade dos meios de produção deveria ser tratada de forma diferente da propriedade de outros bens? Excluída a a pretensa exploração do trabalho pelo capital (1), não existe razão alguma para o tratamento diferenciado.

Mas digamos por um momento que faça sentido abolir a propriedade privada dos meios de produção. Neste caso, a pergunta seguinte é: como organizaríamos os meios de produção então? A resposta socialista é: por meio de “cooperativas” ou “associações de trabalhadores”. Naturalmente, o que não é dito é que junto com a propriedade privada, vai-se também o sistema de mercado substituído pelo planejamento econômico. Isso significa que, independente de como ele seja estruturado (descentralizado com consolidação central, centralizado, ou o que seja), no fim das contas uma única entidade definirá o quê será produzido, em quais quantidades e de que forma: o Estado. A suposta autoridade e autonomia das “cooperativas” restringe-se em definir como melhor implementar as decisões dos orgãos planejadores centrais.

As consequências da extinção da propriedade privada não seriam portanto ruins apenas para os seus detentores: elas atingiriam de forma violentíssima também (e principalmente) quem não detém propriedade alguma. No modelo capitalista, a propriedade privada dos meios de produção garante que sempre existam múltiplos produtores, cada um independente dos demais, o que dá ao trabalhador a oportunidade de escolher entre diversas possibilidades de trabalho (exceto quando o mercado enfrenta crises recessivas aprofundadas; nesses períodos, a oferta de trabalho é naturalmente mais limitada). Com a extinção da propriedade privada dos meios de produção, o trabalhador passa a ter um único empregador possível: o Estado. Aí sim, podemos discutir a exploração do trabalho... pela elite do partido comunista (o equivalente) encastelada no Estado e que decide arbitrariamente o que é melhor para “a coletividade”. Com seu monopólio sobre o emprego, o Estado passa a ter poder totalitário sobre todos os cidadãos, podendo punir quem discordar das políticas da elite dominante com desemprego e a consequente impossibilidade de obter qualquer meio de subsistência alternativo (pois a propriedade privada, e portanto o empreendimento, são proibidos...). Como tão bem colocou ninguém menos do que Trostky, “no comunismo, oposição ao governo significa morte lenta por inanição.”

Sem propriedade privada, não existe liberdade.

NOTAS:
(1) Aos leitores que estiverem curiosos sobre porque discarto de forma tão direta a teoria da exploração: dada sua extensão e complexidade, o tema será abordado em outro artigo. No meio tempo, sugiro duas fontes que mostram como ela já foi completa e inequivocadamente refutada: este artigo (em inglês) do economista George Reisman , disponível no site www.mises.org, e a clássica refutação de Eugen von Böhm-Bawerk (em português), disponível no site do pensador Olavo de Carvalho. Suficiente dizer por enquanto que a teoria da exploração marxista já foi refutada de forma tão absoluta, praticamente desde a sua concepção, que me causa surpresa que alguém ainda a leve a sério nos dias de hoje.

Esclarecendo o Troglodita

Um dos meus objetivos com o “Livre Pensamento” é indicar livros, websites e outras fontes que ofereçam uma visão diferente dos fatos, convidando o leitor a analisar temas conhecidos por ângulos novos. Esse exercício, ao meu ver, é fundamental para que mantenhamos nosso raciocínio afiado; nenhum de nós conhece tema algum em suficiente profundidade para negar o mérito de uma opinião diferente. Como costuma ser dito, a diferenca entre o sábio e o ignorante é que o primeiro têm uma lista de dúvidas; o segundo, de certezas. Sejamos pois sábios e mantenhamos as portas abertas a visões diferentes.

Aqui, claro, devemos fazer um esclarecimento: por “manter as portas abertas a visões diferentes” nao se deve entender tolerância com o que sabemos de forma plena e incontestável ser errado. A cultura do “politicamente correto” nos diz que devemos respeitar todas as opiniões diferentes das nossas, sem efetuar julgamentos de valor; mas na verdade isso é um convite a desonestidade intelectual e à mediocridade. Aquilo que é errado, é errado, e nenhum tipo de respeito deve ser dado a idéias que não sobrevivam ao teste da praxis e ao escrutínio lógico. Apenas aquilo que entendemos como correto (ou sobre o qual não conhecemos o suficiente para efetuar um julgamento) merece o benefício da análise com suspensão do julgamento crítico.

Existem vários websites que considero extremamente interessantes, por oferecerem uma abordagem que considero intrigante de certos temas já conhecidos. Entre eles, destaco hoje um: o site “The Enlightened Caveman”, (algo como “O troglodita Esclarecido”) mantido pelo biólogo americano Chris Wilson. A proposição do site é ao mesmo tempo polêmica e instigante: ajudar a desvendar o impacto que nosso código genético (que desenvolveu-se centenas de milhares de anos atrás, em condições completamente diferentes das em que vivemos hoje) têm no nosso comportamento. Mais importante, a partir desse entendimento, capacitar-nos a entender quando e como deixar essas respostas instintivas atuarem. Como escreve o autor do site:

“The biggest problem now facing mankind is the ancient design of the human mind. It was designed by natural selection to facilitate the survival of our ancestors in an environment that bears no resemblance to our modern world. This site is dedicated to moving beyond the negative influences of our genes, to enlightening the caveman.”

A princípio, tive a nítida sensação de ter diante de mim uma abordagem racionalista típica, das que pregam que a razão deve superar e suprimir nossas características intrínsecas e que ela, e apenas ela, deve governar os assuntos humanos. Considero essa postura não apenas errada, como extremamente perigosa: é a elevação da arrogância ao status de “ciência”. Felizmente, ao pesquisar o site, percebi que não era esse o objetivo ou proposta do autor. A abordagem é bem mais sensata: entender os comportamentos baseados nos nossos genes e aprender a usá-los de forma eficiente. Chris Wilson olha as nossas predisposições genéticas como ferramentas que precisam ser usadas de forma eficiente, não como elementos necessariamente nocivos que devem ser extirpados.

Os pontos que Chris Wilson apresenta como influenciados pelos nossos genes são merecedores de alguma atenção e reflexão. A tradução das explanações é minha:

  • Preconceito de Grupo (In-group Prejudice) – “Nós naturalmente dividimos as pessoas em dois grupos: aqueles que são como nós e aqueles que não são. Aqueles que fazem parte do mesmo grupo que nós recebem tratamento preferencial de forma irracional.”


  • Análise Comparativa (Comparative Analysis) – “Nós naturalmente nos comparamos com nossos contemporâneos e baseamos nossa auto-estima nos resultados dessas comparações.”


  • Mentalidade de Manada (Herd Mentality) – “Nós naturalmente gravitamos na direção de crenças e opiniões aceitas pela maioria.”


  • Admiração por Status (High-Status Admiration) – “Aqueles que recebem mais atenção a sociedade são emulados e admirados de forma irracional.”


  • Doutrinação baseada na Autoridade (Authority-based Indoctrination) – “Nós tendemos a aceitar de forma irracional as crenças e atitudes de indivíduos que enxergamos como dotados de autoridade.”


  • Foco nas Aparências (Focus on Looks) – “Nós somos naturalmente propelidos a avaliar a nós mesmos e aos outros com base na aparência.”


  • Eis uma lista deveras interessante, e provavelmente familiar para muitos liberais. Será que essa análise não nos diz algo importante sobre as razões pelas quais certas ideologias e crenças, mesmo quando desmentidas ad nausean pela realidade, mantém seu charme e domínio sobre as massas? O tema certamente não é novo, mas acredito que merece um olhar mais aprofundado.

    Sendo um blog, “The Enlightened Caveman” não é dedicado apenas ao seu tema central. Chris Wilson também escreve sobre política americana (e aqui vale um lembrete ao que não estão acostumados com a terminologia política dos EUA: um “liberal” americano não é um seguidor da filosofia liberal, mas um membro da esquerda. É o que no Brasil é deceptivamente chamado de “progressista”), assim como cultura pop, natureza humana, comportamento, efeito estufa (tema em que Wilson critica fortemente o stablishment científico, acusando-o de manipular dados e fatos em função de interesses políticos), e outros. Vale a pena ler. Quem sabe assim não começamos a esclarecer um pouco mais o troglodita que existe dentro de cada um de nós?

    terça-feira, fevereiro 01, 2005

    O Pensamento Liberal e a Humildade

    Existem muitas definições para o Liberalismo, mas a minha preferida é também provavelmente a mais chocante para os que pouco conhecem sobre ele: a filosofia da humildade.

    Normalmente os liberais dizem que os homens só são iguais perante a lei. Eu, sob inspiração do mestre Hayek, acrescento outra possibilidade: somos iguais no tamanho da nossa ignorância.

    É provavelmente seguro dizer que a mente humana têm uma capacidade limitada de reter informação. Nenhum de nós, por mais inteligente que seja, é capaz de armazenar e trabalhar com mais do que um certo volume de conhecimento. Comparado ao que qualquer um de nós não sabe (independentemente da informação ser conhecida por alguém ou não), o que sabemos é ínfimo. Podemos dizer que, comparadas à nossa ignorância individual, as diferenças que temos de inteligência, sabedoria, experiência e discernimento são negligíveis. E mesmo que consideramos todo o conhecimento acumulado pela espécie humana desde a aurora dos tempos, a quantidade de perguntas não-respondidas até hoje (e o volume de novas questões que afloram o tempo todo) é um indicativo claro de que não eliminamos as áreas do mundo onde os antigos indicavam nos mapas: “aqui há dragões”; nós apenas as empurramos para mais longe.

    A compreensão do tamanho da nossa ignorância é um dos elementos fundamentais do pensamento liberal.

    Podemos afirmar, sem medo de incorrer em erro, que nenhum de nós é sábio o suficiente para entender o funcionamento de todos os elementos da sociedade.

    Também podemos afirmar, diante da evidência de até hoje não conseguimos chegar a um consenso sobre como a sociedade deve ser organizada e das inúmeras tentativas fracassadas de criar comunidades “ideais”, que mesmo um conjunto de indivíduos excepcionalmente dotados intelectualmente, tendo à sua disposição a somatória de todo o conhecimento acumulado da Humanidade, não pode clamar ter pleno entendimento de como as relações sociais operam.

    E também podemos dizer, sem medo de errar, que na imensa maioria das vezes apenas nós mesmos somos capazes de enxergar e avaliar todas as oportunidades e dificuldades existentes para atingir nossos próprios objetivos.

    Se é assim, como podemos imaginar que um terceiro seja capaz de entender o funcionamento da sociedade, organizá-la de forma mais eficiente e de decidir o que é melhor para nós mesmos? Se nenhum indivíduo têm conhecimento absoluto ou ilimitado, é melhor para a sociedade que cada um de nós tenha a chance de buscar as oportunidades de colocar em uso suas habilidades de forma independente, ao invéz de dependem exclusivamente do julgamento (limitado) de um reduzido grupo de pessoas, por mais capazes e preparadas que elas sejam. A sabedoria popular nos dá o caminho: “nunca coloque todos os ovos em uma só cesta” e “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Ah, a sabedoria popular...

    A liberdade individual é a única forma racional de permitir que a sociedade faça uso do fragmentado conhecimento que cada um de nós possui. Qualquer tentativa de centralizar o processo decisório significa que a informação nas mãos dos indivíduos será ignorada. Ou seja: centralização significa sempre que alguns tomarão decisões com menos, e não mais, informação do que a disponível para o conjunto da sociedade. E todos nós sabemos que decidir por um curso de ação sem informação não é um bom negócio...

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