quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Ainda a Propriedade Privada

Hoje pela manhã, durante a minha peregrinação tradicional pelos meus sites de notícias preferidos, deparei-me com um artigo do economista Rodrigo Constantino intitulado “A Imoralidade de Robin Hood”. O artigo pode ser encontrado no site do jornalista Diego Casagrande, e é extremamente interesante e bem escrito. Mas o que me chamou a atenção foi a excelente defesa que o autor faz do direito à propriedade privada, com base em um argumento que nunca tinha me ocorrido: a posse que cada um de nós têm do próprio corpo, e por consequência, dos produtos que criamos com as capacidades que ele possui. A partir daí, ele esclarece a relação entre trabalho e capital e aproveita para desancar a teoria da mais valia. Excelente! Reproduzo aqui o trecho do artigo relevante para a nossa discussão. Os grifos são meus:

”Um princípio moral básico é o direito à propriedade, começando pelo seu próprio corpo. Se não somos os donos dele, não passamos de escravos, de seres sacrificáveis para algum outro objetivo alheio qualquer. A conseqüência natural desse direito básico é que devemos ser donos também dos frutos do nosso esforço físico ou mental, da nossa produção, seja física ou intelectual. Há uma confusão aqui, normalmente por parte dos marxistas, no conceito de exploração dessa produção. Um trabalhador que não é autônomo, mas sim faz parte de uma organização maior, não vive da venda de produtos do seu trabalho, mas sim da venda do seu trabalho em si. Os benefícios dessa divisão de trabalho já são amplamente conhecidos desde David Ricardo. Alguém que executa uma tarefa específica pode obter, via a troca voluntária, inúmeros bens e serviços, que seriam impossíveis individualmente. Ele não está produzindo os bens finais que demanda, mas sim trocando voluntariamente sua habilidade específica por dinheiro, apenas um meio de troca para a obtenção dos bens desejados. Como é algo voluntário, não há exploração. O conceito de mais-valia é falacioso, portanto. E o critério de justiça ou moralidade aqui parece evidente: que o indivíduo possa ser o dono daquilo que ele ou produziu ou vendeu voluntariamente como seu trabalho para outro produzir. Nem mais, nem menos!”

Sugiro a todos que visitem o site do Diego Casagrande e leiam os artigos de Rodrigo Constantino. São excelentes!

1 Comments:

At quinta-feira, fevereiro 10, 2005 1:16:00 PM, Anonymous Anônimo said...

Luis, parabéns pelo blog. Os textos estão ótimos!

O Rodrigo Constantino é muito bom. Ele é adepto da Escola Austríaca e fortemente influenciado pela romancista e filósofa russo-americana Ayn Rand. O argumento em defesa da propriedade privada como uma extrapolação da posse do corpo do indivíduo deriva-se, se não me falha a memória, no que foi desenvolvido por John Locke n'O Segundo Tratado sobre o Governo, onde é estabelecida uma relação entre a Vida como pressuposto da Liberdade e esta, pressuposto da Propriedade.

Abraços,

Mastrobiso

 

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