segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O Mito da “Ditadura do Capital”

De tempos em tempos, nos debates de que participo em fóruns diversos da internet, surge um argumento (se é que podemos chamá-lo assim) que parece não morrer, por mais que seja espancado e refutado. Como uma fênix da ignorância, o argumento da “Ditadura do Capital” sempre ressurge, e é empunhado por seus defensores como uma espada contra a democracia, o livre mercado e o próprio conceito de liberdade.

Apesar de reconhecer que o esforço de refutar tais argumentos é fútil (pois certas cabeças tendem a ser pouco permeáveis a qualquer coisa que não venha estampada como “progressista”), o farei mesmo assim. Não em benefício dos seus defensores, mas dos leitores não-liberais que são ocasionalmente submetidos à essa bobagem, e dos colegas liberais que por vezes sentem dificuldade em estruturar um contra-argumento claro.

Quais são os elementos básicos da“teoria” da “Ditadura do Capital”? Obviamente, as raízes podem ser encontradas em Karl Marx.

A idéia é a seguinte: a democracia representativa é na realidade uma farsa. Os grandes donos do capital (sejam eles quem forem) na realidade orquestram um grande teatro para apaziguar as massas, fingindo que elas têm poder. Para garantir que os resultados sejam sempre os que eles desejam, os grandes capitalistas usam de propaganda, manipulação dos fatos, filtragem de informação e instituições político-culturais sutilmente viesadas para beneficiá-los. A população, manipulada pela mídia e alienada pelo “fetichismo da mercadoria” (que pode ser traduzido como a falta de compreensão, pelo trabalhador, do seu papel no processo produtivo, que leva os individuos a enxergarem o mercado como mera troca de bens e não de produtos do trabalho humano e portanto, uma interação entre pessoas), placidamente faz o que os capitalistas desejam, imaginando que têm liberdade quando na verdade é escravizada. Um elemento que foi adicionado à essa “teoria” em anos recentes é a idéia de que o consumismo é um reflexo dessa ditadura: os donos do capital usam a mídia para nos influenciar a comprar coisas que não queremos ou não precisamos, de forma compulsiva, quase doentia, e usam essa compulsão para nos controlar.

Alguém subitamente lembrou-se da série de cinema “The Matrix“? Pois é isso mesmo: a teoria é de que nós estamos presos dentro de uma, só que no lugar das máquinas, temos os “donos do capital” controlando tudo.

Como podemos refutar esse fascinante argumento?

Existem duas falhas fundamentais na “teoria” (além de inúmeras menores, acessórias). Vamos a elas:

1) Coordenação Perfeita dos Dominadores – para que os donos do capital sejam capazes de empreender uma manipulação social de tão vasto alcançe e com tamanho grau de perfeição, precisamos supor que eles coordenam seus esforços individuais de forma absolutamente perfeita. Não podem ocorrer conflitos entre eles, nem desavenças sobre repartição de poder, métodos a serem empregados, divisão de mercados, etc. Se elas existirem, obviamente a dominação não será eficiente, e os dominados poderão perceber o que está acontecendo pela contradição de estímulos recebidos de diferentes facções dos donos do capital.

Marx (o pai da criança) percebeu essa falha. A solução que ele concebeu é a seguinte: na verdade, não existe a necessidade de coordenação consciente entre os donos do capital. Por virtude da classe social de que fazem parte, os capitalistas possuem um certo conjunto de padrões de pensamento e lógica designados naturalmente para garantir sua sobrevivência e perpetuação. Ou seja, as pessoas pensam de acordo com sua classe social. Por isso, teríamos uma “lógica burguesa”, uma “lógica proletária”, e assim por diante. A coordenação das ações necessária para o sucesso da dominação ocorre de forma subconsciente, com todos os capitalistas agindo em prol da sua classe social sem sequer perceber isso.

Basicamente, o argumento é que somos todos máquinas, incapazes de pensamento independente. Nosso “software” é determinado pela nossa posição social. Claro, fica a pergunta: o que faria alguém que nasceu pobre e ficou rico “trocar de software”? Ou como podem ser idênticos os interesses e objetivos, por exemplo, do dono de uma grande fábrica de tecidos, um investidor que lida com imóveis, e o conselho de acionistas de uma grande corporação multinacional?

A idéia de que a posição de alguém na sociedade determina (e não meramente influencia) a forma do seu raciocínio nada mais é do que uma grosseira antropomorfização do conceito de classe social: pois se todos pensam de acordo com a sua classe, na verdade quem pensa é a classe, não as pessoas. Mas como pode a classe social pensar, se ela não têm existência material ou intelectual separada dos indivíduos que a compõe?

2) Coerção Perfeita, Permanente e Total – ao definir que o capital exerce uma ditadura sobre a sociedade, a “teoria” implicitamente denota que os donos do capital usam poder de coerção sobre as pessoas, forçando-as a realizar o que eles desejam. Essa coerção não seria do tipo direto (ou seja, ameaça do uso, ou emprego efetivo, da força), mas similar à fraude: manipulação dos dados com que as pessoas operam, de modo a criar situações em que as únicas decisões racionais possíveis são aquelas que o fraudador deseja que sejam tomadas.

Nós sabemos que é possível, de fato, criar esquemas de fraude sofisticados o suficiente para ludibriar simultaneamente uma grande quantidade de pessoas. Também sabemos que existem pessoas que tendem a ser ludibriadas com mais facilidade do que outras. E sabemos que existem indivíduos cujo ceticismo beira a paranóia, e que por isso mesmo são muitíssimo difíceis de ludibriar. Ou seja: dentro de um grupo suficientemente grande de pessoas, encontraremos indivíduos que podem ser ludibriados em uma dada situação e outros que não.

Pois bem. Para que a ditadura do capital seja real, precisamos aceitar que os mecanismos usados pelos dominadores são de uma sofisticação tão fantástica que lhes permite criar uma relação de dependência psicológica com suas vítimas, não por dias, semanas ou meses, mas por gerações. E esses mecanismos de fraude devem ser sofisticados o suficiente para enganar até os mais incrédulos indivíduos, ou pelo menos neutralizá-los. E eles devem agir de forma contínua e impessoal, sem as conexões pessoais de confiança ou o apelo à ganância ou vaidade que vemos sendo frequentemente usados pelos fraudadores.

Essa visão representa, na verdade, uma má interpretação da forma como a sociedade é organizada de proporções colossais. De fato existem elementos na organização da sociedade que delimitam nossas escolhas e estabelecem quais padrões de comportamento são ou não aceitáveis: a tradição, o idioma, a religião, e a moral. Mas esses elementos (que podemos genericamente chamar de cultura) não são, de forma alguma, produto de um plano consciente ou deliberado de um certo grupo social: são resultado de uma evolução expontânea e gradual, ao longo de incontáveis gerações. E tampouco são efetivamente limitadores das nossas opções; sem eles, não haveria civilização, e as opções que cada indivíduo teria à sua disposição seriam sem sombra de dúvida muito menores. A base da vida civilizada, a divisão do trabalho (e o fantástico aumento da produtividade que ela traz) não seria possível, pois ela só é viável dentro dos termos de uma cultura estabelecida. A cultura é o alicerce sobre o qual é construído o edifício das possibilidades individuais, o conjunto de parâmetros que nos permite usar a razão de forma eficiente.

Ou seja: na “teoria” da “Ditadura do Capital” confunde-se cultura com coerção, e vê-se no processo contínuo de mudança, aprimoramento e descarte de instituições manipulações de um grupo social específico, coeso, todo-poderoso e (aparentemente) imortal. E isso porque eu achava que o Grande Irmão de “1984” era assustador...

Em suma: a ditadura do capital é um mito, e dos mais perniciosos (e ilógicos) existentes. Têm virtualmente todos os componentes de uma boa lenda urbana, mas não passa disso. Não que não exista gente rica e inescrupulosa no mundo, claro; mas daí a aceitar uma “teoria” que mais parece um roteiro da série “Arquivo X”, vai uma longa distância...

14 Comments:

At segunda-feira, fevereiro 14, 2005 7:25:00 PM, Anonymous Flávio naylor said...

Parabéns, Luiz Simi, por mais este texto tão incisivo e didático.

 
At terça-feira, fevereiro 15, 2005 12:15:00 AM, Anonymous Alessandro Biazzi said...

Caro Luiz, você comete o erro clássico de liberais e porque não dizer de vários marxistas: simplifica o argumento do oponente para assim criticá-lo. De fato, como marxista, até concordo com algumas questões que você levanta pois ela ataca o pensamento marxista vulgar, rasteiro e determinista. Se muitos fazem esse tipo de leitura isso não significa que o próprio Marx ou o todo do Marxismo operem com esta lógica de determinação da infraestrutura. Não quero entrar em searas específicas sobre o texto mas entendo que você se centra muito na fase comunista científica de Marx e não no jovem hegeliano e no democrata radical, ao meu ver muito mais ricas e intrigantes, pois ali existe um pensamento filosófico que pode ser transposto de forma mais fácil do que a teoria econômica de Marx. O grande erro de muitos marxistas e de críticos generalistas como você, é não levar em conta a própria dialética que o autor tanto defendia. Existe a necessidade constante de interpretação da sociedade, de sua correlação de forças, de sua consciência de classe, do desenvolvimento das forças materiais. Resumindo grotescamente, o Capital é uma obra histórica e deve ser interpretado historicamente e não como uma bíblia, um todo acabado que não se renova. E isso não vale somente para a teoria econômica. A própria concepção de estado em Marx é completamente diferente da atual e mesmo da do início do século XX. O autor não teve a oportunidade de observar o desenvolvimento da democracia liberal, dos sindicatos de massa nem de concessões graduais das elites econômicas e políticas há algumas demandas históricas dos trabalhadores (sufrágio universal, voto feminino, diminuição da jornada de trabalho, direitos trabalhistas etc) que mudaram de forma significativa a organização do estado e suas correlações de força. É muita ingenuidade afirmar que Marx leva em conta somente questões econômicas como a condição de classe de forma determinista. Teorias gerais tem sempre este problema, no entanto em análises históricas concretas como o 18 brumário de Luis Bonaparte e sobre a Guerra Civil na França, Marx analisa o contexto de forma rica levando em conta a autonomia e a subjetividade humana nestes processos. Não é só a classe social que constitui o indivíduo ela é um dos aspectos, hora mais importante, hora menos. Para um melhor entendimento dessas questões é preciso se libertar desses tipos de análise e contestar é claro críticas levianas como a sua que se pautam pelo anacronismo e somente no contexto econômico. Gramsci com certeza é uma das fontes úteis para contestar essa crítica leviana, mas também Adorno, Marcuse e Lukacs, autores que bebem mais em Hegel e no jovem Marx ou pelo menos tem uma interpretação menos determinista do que Althusser e marxistas estruturalistas que brotam por ai. A própria revolução para estes 4 autores não se limita apenas a democratização da produção, em um aspecto econômico mas sim na formação de um novo homem, autônomo e liberto, o marxismo não é so economia e vê tudo como dominação de classe. Estes e outros autores influenciaram a esquerda de 68 que depois disso nunca mais foi a mesma. Foucault e outros pós modernos também entram a fundo nesses debates criticando muitas vezes acertadamente diversos postulados do marxismo. Enfim, o buraco é muito mais embaixo do que você pretende mostrar e esses caras vão se dedicar ao estudo da cultura, da estética, da arte, da industria cultural para perceber quais são estes mecanismos de dominação social que não são só de classe. A classe é uma abstração teórica e metodológica como outra qualquer. Fazia mais sentido quando exércitos se enfurnavam em fábricas e tinham um trabalho repetitivo e Marx percebeu ali a identidade proletária. Hoje o trabalho é completamente difuso. Se produz mais valia dentro de casa através do trabalho imaterial no computador. Existe o proletariado como classe uniforme e universal? Existe a burguesia internacional?.Enfim, fica cada vez mais difícil criar teorias gerais e fixa mas a narrativa marxista realmente revolucionária é aquela que se revisa, se critica, se atualiza e tenta dar conta da complexidade do mundo. O marxismo pensa o dever-ser, é uma teoria da ação e para pensar teoricamente essa ação as idéias tem que se renovar constantemente. Se quiser saber um pouco mais sobre outras visões do marxismo recomendo a leitura direta de alguns desses caras que falei. Caso queira te envio um trabalho de final de semestre que também discute estas questões do ponto de vista gramsciano. Só então pode-se estabelecer um debate mais aprofundado sobre as formas de dominação social e a discussão que o marxismo e o campo da esquerda em geral faz desse assunto.

 
At terça-feira, fevereiro 15, 2005 7:08:00 AM, Blogger Luiz Simi said...

Caro Alessandro,

você está enganado se considera que não conheço a obra de Marx, ou mesmo suas diversas fases (como por exemplo, e na minha opiniao uma das mais relevantes, o período imediatamente posterior à Comuna de Paris, onde a autocrítica de Marx o leva a atacar frontalmente a própria concepção do Estado como instrumento da revolução que ele previamente defendia, e reconhece que não é atravéz dele que ela poderia ser feita; pena que muitos marxistas aparentemente jamais leram esse Marx).

Minha crítica neste artigo é, de fato, aos marxistas rasteiros e às tietes socialistas que jamais leram obra alguma de pensadores como Marx, Rosa Luxemburgo, Gramsci, Trostky, Lenin, ou mesmo Sartre. Para socialistas como você, que obviamente conhecem a fundo o tema, minha crítica é de outro calibre.

Marx e todos os seus seguidores são prisioneiros intelectuais do racionalismo arrogante e determinista do século XIX. Ele, assim como todos os autores que você citou, baseiam-se em premissas falsas para construir suas teorias. Partem de uma compreensão racionalista da origem e formação da sociedade, buscando um "grande desenho" que a explique. Esse grande desenho é a evolução do Capital enquanto elemento histórico, e os conflitos que a compuseram, sempre visto de forma dialética. Mas isso é uma bobagem sem tamanho.

As mudanças que você aponta na esquerda pós-68 nada mais são do que a "midlife crisis" do socialismo. É a percepção intelectual da falência teórica, mas que tenta-se contornar e de alguma forma evitar por meio da "reinterpretação" do pensamento marxista. Diante de uma evolução econômica e cultural do capitalismo que jamais poderia ocorrer dentro do pensamento marxista clássico, da refutação continuada (tanto prática quanto teórica) dos fundamentos centrais do pensamento marxista-socialista, tenta-se salvar a ideologia por meio de um misto de: recuos táticos; fragmentação conceitual para que, mesmo que a teoria como um todo não possa ser aceita pela sociedade, elementos dela ganhem força e vida independente; e tentativas de renovação das bases teóricas principais, sempre fracassadas.

O fato é que, ao compreender de forma completamente errada as bases do processo econômico e o papel da propriedade privada, Marx lançou as bases para a mais equivocada e inconsistente ideologia que jamais existiu. Ao buscar um "grande desenho" da sociedade (que não existe, nunca existiu e nunca existirá), Marx criou mitos e fantasias como a mais-valia, a dominação do capital, e outras bobagens, que agora são defendidas por seguidores como você. Mas a justificativa para o descolamento completo entre a teoria generalista de Marx e a realidade empiricamente comprovada nunca é "estávamos errados", mas sim "os mecanismos de dominação hoje são mais sutis e indiretos do que antes". Exatamente o SEU argumento, Alessandro. Em suma: de uma forma mais sutil e sofisticada, você retoma a exata teoria marxista rasteira que ataquei no meu artigo.

De qualquer forma, muito obrigado pelos seus comentários. Se puder, gostaria sim de ler seu trabalho baseado em Gramsci. E caso você deseje, também posso indicar-lhe leituras que podem ajudá-lo a entender o pensamento liberal de forma mais profunda.

 
At sábado, outubro 27, 2007 1:42:00 PM, Anonymous Anônimo said...

olha o negocio é o seguinte, tenhu prova de antropologia sobre o marx e nao entend porra nenhuma dessa merda ae!!!!!!!!!

 
At quarta-feira, outubro 31, 2007 1:21:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Sou bacharel em Comércio Exterior, Mestre em Sociologia, Doutorando em Ciência Política e professor universitário federal, além de possuir bons conhecimentos em economia, e deste modo, o que posso dizer é que:

I. Em termos econômicos, a Teoria Marxista (ignorada na Academia Econômica, aliás, e não presente nas ementas da maioria dos cursos de economia, não por pressões da classe dominante, mas por ser descartável), em se sustentando grandemente na mais-valia/exploração é extremamente frágil, visto que:

a) Nasce de um conceito autorefutado pelos próprios idealizadores, Smith/Ricardo, de quem Marx apropriou-se da idéia central e a reapresentou com a roupagem de “exploração”, o que a leitura smithiana/ricardiana apresentava como "resíduos".

b) Eugen von Böhm-Bawerk, apresentou já em 1895, ou seja, muito antes das experiências fracassadas do socialismo real, e portanto de forma bem isenta, uma refutação economicamente demolidora da teoria da plus valia marxista.

c) Mises e Hayek, dentre vários outros, também apontaram a inconsistência lógica da teoria marxista da exploração que, desejem (agora...) ou não os marxistas, é em grande parte o sustentáculo da “Luta de Classes”, ou afinal o antagonismo não é entre exploradores/explorados?.

II. Em termos políticos, a Teoria Marxista, em se apoiando na “Luta de Classes” em função do antagonismo perpetrado pela extração da mais-valia (ela de novo...) é refutada amplamente por Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, que apontam a inconsistência da afirmação “antagonismo”. Além disso:

a) Um dos maiores historiadores franceses, Jean-Baptiste Duroselle, aponta, após criteriosa pesquisa histórica, que as relações sociais são pautadas essencialmente pela cooperação/colaboração e não pelo antagonismo como alega Marx

b) Politicamente o socialismo real mostrou tendências seríssimas para a ditadura, sendo que todos os países socialistas em determinado momento tornaram-se ditaduras ferrenhas, o que é fácil entender, pois a passagem para o socialismo/comunismo não pode ser feita de forma natural, ou seja, socialmente sancionada, de modo que o princípio do sistema já deve constituir-se em uma ditadura (ditadura do proletariado, não era esse o termo?) e desse ponto, a permanecer-se em uma ditadura é um pequeno passo.

c) Socialismo, a despeito do que muitos afirmam, é incompatível com o conceito de democracia, pois a democracia baseia-se no dissenso e no pluripartidarismo (ler Schumpeter e os gregos) e a o socialismo baseia-se no consenso e em um único motor político “O Partido do Povo”.

II. Em termos Metodológicos/Científicos, a Teoria Marxista é colocada em cheque por exemplo, por ninguém menos que Karl Raimund Popper, cientista austríaco que qualquer pessoa que tenha um mínimo de conhecimento em metodologia científica conhece, e reconhece ser um cientista de primeiro nível com uma contribuição inestimável ao desenvolvimento tanto das ciências, como da forma como estas são concebidas e seus processos legitimados. Pois afirma Popper que a maior parte do pensamento marxista é não-refutável e não-falseável, portanto é NÃO-CIENTÍFICO. Afinal, quem garante que no FUTURO o socialismo será vencedor, que a classe operária (ver Laclau) é a classe predestinada (isso mesmo, predestinada... nada mais científico, não?) a construir um novo mundo justo? São afirmações proféticas, de grande impacto, mas certamente não são científicas.

De qualquer forma, observo que a ala socialista, ressurgindo aos poucos dos escombros do muro de Berlim, busca agora novas nuances para justificar-se enquanto alternativa política, teórica e de mudança social, revolvendo toda a produção de Marx, com vistas a achar trechos teóricos que possam sustentar-se, recorrendo aos escritos imberbes de Marx, ainda de grande antagonismo com a filosofia Hegeliana, pois nestes a clareza de pensamento, que tomou tons tão proféticos e refutáveis em o “Capital”, é mais escassa e um tanto mais filosófica.

 
At sábado, dezembro 05, 2009 11:02:00 PM, Anonymous DeViR said...

Algo assim tão escandaloso é mesmo uma impossibilidade?
É preciso ser muito anjinho para não acreditar que seja possível.
Se está a acontecer ou não fica ao critério de cada um, mas que pode, pode.
É só acompanhar um pouco da historia humana.
Agora, tenho dificuldade em aceitar que se mantenha a verdadeira essência do actual sistema bancário longe da compreensão pública.
Agradecia aos entendidos da Economia que explicassem, quem cria a moeda, quem pede emprestado a quem, e o percurso do capital desde a sua criação no Banco Central Europeu (ou outras instituições similares FED) até à dívida do ultimo cliente, mediante o Sistema de Reservas Fraccionadas.
Já agora, uma lição de história por parte dos entendidos, em como há algumas décadas atrás, a história do dinheiro era outra. A extinção da paridade
papel-moeda(dinheiro) : ouro.
Minha gente, há que deixar de andar só nos copos e nos engates e começar a apreciar um pouco mais sobre estes assuntos.
Bem, podemos sempre ir vivendo conforme nos permitem, não é?
Não sei como nos dias que correm, se pode duvidar, do quão nefasto foi este sistema para os valores de uma Sociedade Humana.
Um abraço.

 
At domingo, dezembro 13, 2009 8:17:00 PM, Anonymous DeViR said...

Mas será que não se fala sobre a avalanche monetária que se abateu sobre a sociedade nas ultimas décadas e as suas consequências nas atitudes Humanas?
Alguém quer pegar nos números da Mecânica Moderna do Dinheiro e demonstrar como as consequências futuras inevitáveis, são previsíveis?
Não quero saber o lado politico de cada um, só sei que "induziram" o consumo, "falso" crescimento, enormíssimas quantidades de poluição e destruição sem precedentes do nosso planeta.
Agora a sociedade vai pagar a factura...

 
At sábado, abril 10, 2010 10:08:00 PM, Anonymous Luís said...

Apenas deixo um leve comentário ao autor deste texto, já que não vejo permiabilidade no seu pensamento:
O capitalismo é a mediocridade de valores e capacidades humanas. Sou pela qualidade, não pela quantidade.

 
At quarta-feira, novembro 10, 2010 10:42:00 AM, Anonymous Elias said...

voce entrou em contradição ao dizer que é contra a social-democracia mais é a favor de direitos humanos. Então na empresa que você administra você e contra qualquer direito dos trabalhadores inclusive o seu pois as politicas sociais keynesinanas começaram como tanto se sabe com os politicos sociais democratas que antes de mais nada e juntamente com Keynes, eram antisocialistas.Se o liberalismo fosse tão eficaz, na crise de 2008, os EUA, não teriam aumentado os investimentos em politicas sociais para dissuardir a crise. Porque fizeram isso??? porque as politicas sociais garantem a inserçao do trabalhador no sistema capitalista dando-lhe poder de compra.Sem social democracia o sistema capitalista simplesmente se corroe por completo, ou então os empresarios iraão comprar de si próprios etc.Em suma sem interferencia de forças externas, mas contudo de forma controlada, o sistema capitalista tende a ruir por si proprio, pois com o retorno do animal espirit de Keynes existente hoje com o retorno financeiro a qualquer custo, as empresas cortam gasto cortando empregos, e cortando empregos e salarios corta-se a essencia do proprio capitalismo, pois sem salario as pessoas ficam sem poder de compra e assim nao podem alimentar o sistema.E imagina Luiz, se num dado momento, existir apenas duas corporações que acabaram de vencer a guerra concorrencial e se transformaram em oligopólios. Então só resta uma alternativa, que vença a melhor. Para vencer elas vão cortar o maximo de gastos, inclusive gastos funcionais humanos e substitui-los por maquinas inteligentes. Acredito que uma das corporaçoes acabará na falencia por falta de compradores e a maioria dos moradores do planeta estarao morrendo na miseria absoluta por falta de emprego e renda.

 
At quarta-feira, novembro 10, 2010 10:51:00 AM, Anonymous Elias said...

Já ia esqueçendo, veja o filme The Corporation que mostra um pouco das mazelas do paraíso liberal que quer inclusive privatizar a agua e o ar. Se isto não for ditadura, Alexandre o Grande não foi mais que um singelo escravo grego.

 
At segunda-feira, maio 12, 2014 5:05:00 PM, Anonymous antonio_luiz@hotmail.com said...

Daí veio a crise em 2008/2009 e a derrocada (ou fraude simplesmente?) de "enormes" instituições financeiras e calou todo o teu texto! hahahaha

 
At segunda-feira, maio 12, 2014 5:05:00 PM, Anonymous antonio_luiz@hotmail.com said...

Daí veio a crise em 2008/2009 e a derrocada (ou fraude simplesmente?) de "enormes" instituições financeiras e calou todo o teu texto! hahahaha

 
At domingo, abril 23, 2017 3:53:00 AM, Blogger Davi Queiroz said...

Você não está completamente errado quando explica em síntese, a ideologia em marx, mas o senhor não entendeu algumas coisas e eu vou explica-las no decorrer no texto.
Em primeiro lugar, quando falamos em ideologia, falamos que a interpretação do individuo em relação ao mundo, é condicionada à sua realidade material, e usamos esse fato para defender, por exemplo, que o pobre votar em quem o oprime é um avanço sintomática da ideologia dominante burguesa, ok? Então você diz que nós, marxistas, usamos o argumento pra demonstrar como a massa burguesa estabelece as relações de manipulação com virtuosa organização. A manipulação acontece de forma equalizada entre os poderes, não por uma sofisticada ordem e regulamentação, e sim pq os meios, são para os mesmos fins (ajeitar o campo acontecem para que a oferta entre no processo previsto de sublimação, ou seja, se converta em demanda) em toda gama de serviço. E isso acontece naturalmente para manter-se a nível da concorrencia.
O senhor errou, também, quando disse em um dos esboços de refutação, que quando um homem passa a viver em uma condição materia diferente, ele não muda seus ideais, por tanto, você marx extá refutado, pois a classe do homem passou a ser a dominante.
Veja bem, se o indíviduo não muda sua interpretação de mundo, mesmo com o estado material que diverge ao anterior, não contraria a teoria de marx, apenas a reforça, afinal, o indivíduo carregou as concepcões originais, pré-concebidas pela realidade material até o fim.
Reforça, pois, entendemos que os barões do grande capital, manobram a cultura pelos veiculos de influencia pré instalados, (icones que reforçam o consumismo. Um exemplo impírico é o funk ostentação, ofertado aos sete ventos pela midia barata, por tanto, a unico alternativa dos pobres) para que o indivíduo venha a, por exemplo, votar em opressor, ou o gay, a votar em homofóbico, e por aí vai. Se esse pobre nasceu nesse campo, e enriqueceu depois de um tempo, isso não vai alterar a ordem das coisas, vai apenas ajudar de forma, dosadamente, inconciente, e assim, seguindo o ciclo. Aliás, agora mais energico, pois como esta rico, confia mais nas conclusões teóricas neo-liberais, se esquecendo que é exceção e não regra.
O senhor se contradiz em um próximo argumento ao dizer que concluimos que a ideologia tem um viés de contribuição fraudosa, sendo que fraude é um avanço da conciencia, não inconciencia. Você endaga dizendo que como pode uma tecnologia de manipulação tão isenta de pontos erráticos, que cobre as vitima por um estado tão grande de alienação que acaba por nunca descobrir a fraude, e diz mais, a fabulosa tecnologia é capaz até de possuir toda uma população, até os mais incredulos que lá vivem, ó minha nossa!
Vou te dar um exemplo meu amigo, as sociedades religiosas, onde se predomina, arbitrariamente ou não, uma só religião. Evidências esfaqueando a religião das mesmas existem, mas não as alcançam, e nem um "idolos", que, por motivos de representatividade, tirem esse povo do coma. Bem, há quem nega a doutrina estabelecida na sociedade, mas por intervenção externa e por uma realidade material que lhes apresente informações.

 
At sexta-feira, junho 09, 2017 10:11:00 AM, Blogger Vinícius Rocha Nogueira said...

Prezado quando lemos sua formação e o que faz ou não da vida fica claro que você é um tipo de capitalista ou coisa que o valha,mas, como professor de filosofia me sinto na obrigação de postar aqui um vídeo da TVT sobre o que vivemos hoje no Brasil e no Mundo, que é a mudança de regime politico que é de democrático para o que eu chamo de empresocrático. E o faço pelo bem dos leitores, pois, cada um entende liberdade de uma forma e quase sempre errada.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=yMwlucABvXk
Att. Prof. Vini da INFODIGIT-PC CANAL YOUTUBE.

 

Postar um comentário

<< Home

Web Ring Liberal
Ring Owner: Julio Belmonte Site: Web Ring Liberal
Free Site Ring from Bravenet Free Site Ring from Bravenet Free Site Ring from Bravenet Free Site Ring from Bravenet Free Site Ring from Bravenet
Site Ring from Bravenet
[prefs.setac_phrase]