sábado, março 19, 2005

Porque a Distribuição de Renda não Importa

Existe um mito, continuamente reforçado por certos grupos, de que a desigualdade tem crescido com o avanço do capitalismo pelo mundo afora. Os detratores do livre mercado usam esse argumento para tentar demonstrar que ele é inerentemente injusto e pintar um quadro desolador, em que os pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos, cada vez mais ricos. Mas como todo mito, este tem apenas a mais tênue conexão com a realidade, e representa mais a vontade dos que o divulgam do que uma visão objetiva da realidade.

Em recente matéria intitulada “The Poor May Not Be Getting Richer...” a revista americana Reason comenta um polêmico artigo do economista do Banco Mundial Charles Kenny entitulado “Why Are We Worried About Income? Nearly Everything that Matters is Converging” que indica, ao contrário do que muitos inimigos do livre mercado pregam, que o fato de que a renda dos habitantes de países mais pobres evoluiu mais lentamente do que o dos países desenvolvidos não significou estagnação nos índices de qualidade de vida, e muito menos reversão na sua tendência de melhora acelerada. Kenny questiona fortemente o dogma de que só o aumento de renda é capaz de melhorar a vida das pessoas, e mostra que outros fatores podem desempenhar um papel tão ou mais importante que o da melhoria dos rendimentos.

As afirmações de Kenny são corroboradas por um vasto conjunto de dados produzidos pela ONU, pelo Banco Mundial e outros órgãos multilateriais. As Nações Unidas, por exemplo, em seu último Millenium Report, mostra que de 1990 para cá os índices de miséria, desnutrição, mortalidade infantil, consumo médio de calorias e expectativa média de vida melhoraram consistentemente, mesmo nas regiões mais problemáticas do planeta. A parcela da população mundial vivendo na pobreza, por exemplo, caiu de 28% para 21% em doze anos, mesmo considerando-se que a população mundial total cresceu de 4 para 5 bilhões no mesmo período. Da mesma forma, os índices de mortalidade infantial caíram de 103 para 88 por mil, e o acesso a àgua potável subiu de 71% para 79%. Comparados com os números de 1960 ou de 1900, como fez Kenny, os avanços obtidos no século XX (mesmo com duas guerras mundiais, Guerra Fria, o avanço do socialismo em boa parte do planeta, crescimento explosivo das populações e um sem-número de conflitos, problemas e catástrofes naturais) são ainda mais impressionantes.

Isso joga por terra a idéia de que a globalização e o avanço do Capitalismo aumentaram a pobreza e a miséria ao redor do mundo. Os dados da ONU e do Banco Mundial mostram que isso não é verdade, para o desespero de parcelas da Esquerda internacional. Talvez seja por isso que esses dados são consistentemente ignorados por elas, e observemos uma tendência de alguns grupos em criar problemas onde eles não existem (ou ampliar suas dimensões de forma absurda), como o episódio do Fome Zero no Brasil recentemente demonstrou. O fato de que as condições de vida tem melhorado sensivelmente em todo o mundo tira da Esquerda uma das suas mais poderosas bandeiras: a de que o Capitalismo inevitávelmente leva a um aumento da pobreza e maiores diferenças sociais.

Mesmo assim, fica uma questão a responder: realmente as melhorias de qualidade de vida nos países pobres não foram acompanhadas por um crescimento da renda na mesma proporção. Mas se é assim, como explicar esta melhora na qualidade de vida?

De novo, a resposta está no avanço do Capitalismo e os seus grandes trunfos: a economia de escala e o avanço tecnológico. A fantástica expansão industrial, tecnológica e econômica ocorrida no século XX permitiu que, ao longo dos anos, os preços de bens fundamentais para a sobrevivência e bem-estar das pessoas caíssem consideravelmente. Kenny estima em seu artigo, por exemplo, que graças a esses avanços, hoje é possível obter uma dada expectativa de vida com 10% da renda da que seria necessária para conseguir o mesmo resultado em 1870. Ou seja, mesmo que a renda dos pobres não tenha crescido na mesma proporção dos ricos, ela é capaz hoje de comprar muito mais do que um século atrás. Basta observar a fantástica proliferação de bens como o rádio, a televisão, computadores, e mais recentemente celulares. Medicamentos fundamentais, como a penicilina, que no passado custavam uma fortuna, hoje podem ser adquiridos com alguns centavos de dólar. O aumento da riqueza disponível permitiu o surgimento de sistemas massificados de educação e saúde, tanto privados como públicos. Saber ler e escrever, que até o século XIX era um conhecimento restrito aos ricos, hoje é lugar comum.

O economista F.A Hayek, em seu livro “A Constituição da Liberdade”, publicado em 1969, já indicava que o fato dos ricos terem mais renda disponível, no longo prazo, era favorável aos mais pobres. Ele chamava os dispêndios (muitas vezes frívolos) dos ricos de “experimentos nos estilos de vida do futuro”, e dizia que essas experiências permitiam às empresas adquirir o conhecimento necessário para produzir os bens e serviços adquiridos pelos mais abastados de forma cada vez mais barata e eficiente, gradualmente tornando-os acessíveis à camadas cada vez maiores da população. Hayek afirmava que eliminar os ricos significaria eliminar esse “campo de provas”, efetivamente barrando o processo de desenvolvimento tecnológico e portanto impedindo que os pobres um dia usurfruam dos benefícios criados para atender originalmente os grupos de maiores posses.

Os eventos do século XX mostram que Hayek, como sempre, tinha razão. Os avanços tecnológicos ocorridos nos países desenvolvidos gradualmente alcançaram os países mais pobres, permitindo que mesmo aqueles que jamais desenvolveram economias capitalistas maduras obtivessem benefícios das experiências e avanços dos que o fizeram. E a rápida disseminação da informação que hoje é possível permite aos países pobres pular etapas de desenvolvimento, usando a experiência acumulada pelas nações ricas.

Ou seja: precisamos de mais Capitalismo para derrotar a miséria, a pobreza e a fome definitivamente, não menos. A boa e velha economia de mercado e sua irmã gêmea, a revolução tecnológica, são a solução, não programas malucos de engenharia social baseados em ideologias falidas.

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