terça-feira, setembro 27, 2005

Stephen Kanitz 2006!

Conheço o professor Stephen Kanitz desde antes mesmo de entrar na faculdade. Conversei rapidamente com ele uma ou duas vezes em encontros fortuitos nos corredores da FEA-USP (quando eu estava conversando com algum outro professor, ele passava, parava para cumprimentar o colega e – por quê não? – trocar duas palavrinhas rápidas com o aluno que estava ali, sobrando na parada). Então, não posso honestamente dizer que conheço Stephen Kanitz de forma pessoal. Para mim ele não é uma foto em uma página da revista Veja, mas também não é nenhum daqueles professores amigos com quem se vai tomar cerveja.

Conheço o professor Kanitz mesmo pelos seus artigos, como quase todo mundo. Minha opinião sobre o que ele escreve? Concordo fortemente com uns 60%, e discordo fortemente de outros 40%. Somos, sem dúvida, parceiros na crença na sociedade aberta; mas certas posições dele certamente não combinam com o que eu enxergo do mundo (como, por exemplo, a postura, a meu ver, fatalista sobre o a inevitabilidade do aumento dos impostos no futuro). Outras, porém, para mim o colocam em alta conta: por exemplo, a ênfase que ele dá à filantropia como ferramenta de combate à miséria e à pobreza (e isso em um país como o Brasil, acostumado a pensar que só o Estado é capaz de resolver esses temas, a despeito de décadas de esforços governamentais e resultados desapontadores). Kanitz é um fazedor, um "doer" e não um "thinker". As idéias dele podem não ser originais, mas certas aplicações que ele lhes dá são certamente interessantes. Uma delas é a importância que ele vê na organização de redes, na capacidade de mobilização social autônoma, sem o Estado como intermediário ou orientador da ação coletiva.

Caso em vista: Stephen Kanitz quer ser candidato em 2006. A quê? Essa é a parte interessante. Nas palavras do professor:

"Meu objetivo é testar uma idéia que poderá criar o início de uma democracia eletrônica neste país, que permitirá pessoas honestas e inteligentes se candidatarem, eliminando os elevados custos de campanha.

A corrupção no Brasil tem origem na necessidade dos partidos políticos arrumarem verbas para campanha. Vamos acabar com isto em 2006, fazendo a primeira campanha sem verba deste país!

A proposta é a seguinte: Responda a pesquisa abaixo onde pergunto se você estaria disposto a votar em mim, se eu me candidatasse a um cargo em 2006.

Se 20.000 eleitores se comprometerem a votar em mim, me candidato a Vereador.

Se mais de 60.000 internautas se comprometerem a votar em mim, me candidato a Deputado Estadual. Se porventura 2 milhões se comprometerem a votar em mim, me candidato a Senador, e assim por diante.

Aí, é só vocês cumprirem a sua parte que faremos a primeira campanha com pouca verba, nenhuma corrupção, e nenhum acordo com empreiteiras, sindicatos e grandes financiadores de campanha deste país."



Será que a proposta de Kanitz é viável? Não tenho a menor idéia. Mas quem pode negar que o professor é ousado? Essa é a postura, ao meu ver, de quem está realmente interessado na mudança: fazer ao invés de falar. Como tão bem colocou o professor em um dos seus artigos, enquanto os revolucionários ficam por aí, pregando a revolução que não virá nunca, poderiam estar fazendo muito mais agindo na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, para ajudar a resolver os problemas locais antes de sair querendo consertar o mundo (que, aliás, não está quebrado).

A iniciativa de Kanitz me parece extremamente interessante. Não sei se o professor vai levar a idéia adiante; o último post que ele fez no seu blog de campanha está datado de 24 de agosto deste ano. Ele informa que já conseguiu cerca de 20 mil compromissos de voto, o que daria para elegê-lo vereador em São Paulo. O problema é, claro, que não teremos eleição para vereador em 2006. É possível que o professor Kanitz tenha que arquivar sua idéa e esperar 2008… o que seria uma grande pena.

Está aí uma experiência para os liberais pensarem a respeito. Não se muda um país de cima para baixo sem o uso da violência; e como não queremos a violência, temos que começar de baixo para cima. Criar mecanismos que tornem a eleição de pessoas comprometidas com o ideal liberal (ou, na pior das hipóteses, simpáticas a ele, como o professor Kanitz) viável, a despeito da assimetria de recursos e a falta de penetração das idéias liberais junto à grande massa da população, independente de partidos e modelos políticos viciados, é um caminho importante para que possamos começar a mudar a maré dos eventos.

E quem sabe não posso acabar me lançando a vereador em 2008, nos mesmos moldes? Na pior das hipóteses, eu e o professor Kanitz poderíamos formar a "bancada da sociedade aberta" na Câmara da cidade de São Paulo...

Aceito compromisso de voto desde já.


Comente este post no "Fórum Livre", o fórum de debates do "Livre Pensamento"!

9 Comments:

At terça-feira, setembro 27, 2005 8:56:00 PM, Anonymous Sonia Borges said...

A idéia é prá lá de ousada, mas até 2008, quem sabe....
Meu voto já é eu.
Um abraço

 
At terça-feira, setembro 27, 2005 9:44:00 PM, Anonymous Anônimo said...

Caro Luiz:

Idéia ousada e interessante. Será que uma candidatura centrada em pesquisas virtuais dispensaria por completo outras formas de divulgação? Qual seria o porcentual de fidedignidade? Ou por outra, dos vinte mil que apresentassem suas intenções de voto, quantos realmente votariam no candidato "virtual"? Por qual partido um liberal sairia candidato? Perguntas que somente o tempo e a aplicação da idéia de Kanitz poderão responder. Se eu fosse eleitor em São Paulo com prazer consignaria a você o meu voto. Lance a idéia nas comunidades liberais do orkut. Duas mil intenções você certamente receberá. E viva a sociedade aberta na câmara paulistana !!!

Saudações cordiais,
Ricardo Alexandre da Silva.

 
At quarta-feira, setembro 28, 2005 6:03:00 AM, Blogger Luiz Simi said...

Ricardo e Sônia,

nao sei se um dia vou ser candidato a alguma coisa, o parágrafo final foi mais um provocacao, uma brincadeira mesmo. Mas obrigado pelas intencoes de voto!

Ricardo,

As perguntas sao realmente várias, e nem todas tem resposta fácil.

Acho que uma candidatura virtual tem potencial para eleicoes locais em cidades grandes (como, por exemplo, para vereador ou deputado estadual), mas nao alcanca para eleicoes de âmbito nacional. E mesmo que a ênfase seja dada à campanha virtual, nao acho que se possa abdicar das outras formas de divulgacao. Mas pode-ser dar menos ênfase a elas, principalmente se ficar provado que o compromisso de voto na internet tem um índice de fidelidade alto.

Partido? Visto que nao existe um partido de plataforma liberal no Brasil, é necessário operar por meio de algum que, mesmo nao sendo liberal, seja "liberal-compatível" ou neutros. Partidos de esquerda estao naturalmente fora. Também nao dá para ser partido de aluguel. Eu consideraria como possíveis o PFL, o PSDB, ou o PMDB. Nenhum é ideal, mas é melhor que nada.

 
At quarta-feira, setembro 28, 2005 4:25:00 PM, Anonymous Anônimo said...

Caro Luiz,

estou de acordo com Ricardo e Sônia, lance sua campanha e pode contar com minha intenção e com o meu voto.

Forte Abraço.

 
At quarta-feira, setembro 28, 2005 9:20:00 PM, Anonymous smart shade of blue said...

Luiz,

Se tiver um tempo, veja isto:

http://smartshadeofblue.brblog.com/archives/001844.html

abçs !

 
At quinta-feira, setembro 29, 2005 12:58:00 PM, Anonymous sol moras segabinaze said...

outro voto aqui.

 
At quinta-feira, setembro 29, 2005 1:03:00 PM, Blogger Luiz Simi said...

Shade,

interessante, vou dar uma pesquisada nos pontos que você indicou no seu post.

Concordo com a sua colocacao sobre a questao da importância dos checks and balances (concordo inclusive que o sistema representativo, com todos os seus vícios, é superior ao processo de democracia direta), mas meu foco aqui era outro. Nao vejo como negativo:

1) o esforco de candidatos buscando viabilizar sua eleicao de forma alternativa, usando a tecnologia disponível para estabelecer um contato mais próximo com o eleitor;

2) que grupos ideológicos ou sociais minoritários usem de organizacao em rede para ampliar suas chances de participar do processo decisório representativo.

É sob esses dois prismas que enxergo o tema.

 
At segunda-feira, outubro 03, 2005 12:22:00 AM, Blogger Claudio said...

só não dá para engolir quando ele fala de economia. é muito estranha a teoria dele.

mas isto não impede que seja um proponente.

luiz, náo tenho vindo muito aqui, mas continua melhorando a coisa neste blog, heim? :-)

 
At sexta-feira, novembro 04, 2005 8:06:00 AM, Blogger Roberto Iza Valdes said...

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