domingo, novembro 06, 2005

A Hora da Resistência Democrática

Quando criei o "Livre Pensamento", quase um ano atrás, meu objetivo era discutir o liberalismo nos seus aspectos teóricos e filosóficos, e suas possíveis aplicações no mundo real. Queria discutir sobre a evolução do pensamento liberal, suas implicações no desenvolvimento da sociedade moderna, e como ele poderia nos auxiliar a encontrar soluções para os problemas complexos que assolam o mundo hoje. Mais importante, o "Livre Pensamento" é para mim um estímulo para continuamente estudar, debater, pensar e desenvolver as idéias. O esforço de estudo e argumentação que o blog me exige é fundamental, para mim, para estruturar as idéias e colocar minhas hipóteses diante da prova do criticismo.

O "Livre Pensamento", neste tempo todo, me parece ter sido bem-sucedido. Os objetivos com que ele foi criado têm sido, ao meu ver, alcançados. Mais importante, parece que o que eu escrevo faz sentido para mais gente além de mim mesmo: o blog recebe algo entre 150 e 250 visitantes únicos por semana, com picos de 400 a 500, o que considero uma marca excelente. Antes que perguntem, o objetivo não se esgotou, e continuarei buscando no "Livre Pensamento" debater a filosofia do liberalismo, e suas várias permutações.

Meu foco nos aspectos mais "etéreos", por assim dizer, do pensamento liberal é sinal de um aspecto importante da minha personalidade: eu detesto, sinceramente, a luta político-ideológica. Não sou um ideólogo, nem carrego a certeza absoluta sobre a correção das minhas idéias que aqueles que embarcam na luta política com unhas e dentes parecem possuir. Sou um cara que gosta de construir pontes: tento encontrar pontos de contato, consensos possíveis, valores comuns. Apesar de ter na discussão filosófica e de valores a minha paixão, me considero um realista político que abomina utopias, e que acredita que qualquer discussão política concreta deve sempre partir das condições e instituições reais, existentes, e não de modelos idealizados. A discussão política, ao meu ver, deve partir de onde estamos, e então, buscar onde podemos realisticamente chegar. Ideais são importantes para nos dizer o norte que devemos perseguir, mas são de utilidade limitada para definir que ações concretas devem ser tomadas. A lógica da situação, por assim dizer, não pode ser ignorada sob pena de tomar-se cursos de ação condenados ao fracasso.

Mas, infelizmente, existem momentos em que não se pode mais evitar a luta político-ideológica, por mais que ela nos seja desagradável. Há momentos em que furtar-se dessa luta significa escalar uma torre de marfim e isolar-se da realidade concreta, discutindo amenidades enquanto a cidade abaixo arde em chamas. Infelizmente, o momento em que vivemos é um deles.

Já me posicionei na luta política em vários momentos, e escrevo sempre que considero apropriado sobre a conjuntura nacional e internacional; meus artigos podem ser encontrados nos sites "Diego Casagrande", "Capitólio.Org" e "Ratio Pro Libertas", entre outros. Assumi uma postura mais ativa quando do referendo sobre a proibição de armas e munição, defendendo abertamente o que considero correto. Mas sinto, infelizmente, que a situação em que vivemos exige mais participação na luta política do que eu gostaria.

O artigo publicado hoje pelo Augusto de Franco no e-agora, É Hora de Resistência Democrática, é um retrato perfeito da angústia que sinto: diante da flagrante dissolução do espírito da democracia representativa, por obra e graça de um grupo privado que apossou-se do Estado e que tem como guia, pura e exclusivamente, um projeto de poder, como posso eu ficar só a debater sobre as diferenças teóricas entre Locke e Rothbard, ou sobre as diversas facetas da liberdade no mundo moderno? Não dá, meus amigos. Infelizmente, é chegada a hora de ir para a briga.

Daqui para frente, e enquanto durar a situação em que estamos, minha prioridade será o debate voltado para a conjuntura política nacional. Meus artigos de conjuntura serão, cada vez mais, voltados para a necessidade concreta da sociedade civil reagir à situação inaceitável em que nos encontramos. Continuarei dando ao "Livre Pensamento" o enfoque geral que ele sempre teve, mas certamente aparecerão por aqui mais artigos sobre a conjuntura e sobre a resistência democrática ao governo Lula.

Meu foco não será, em princípio, a crítica à esquerda em termos gerais; assim como a direita, ela é por demais fragmentada para poder ser tratada de forma única. Uma parte significativa da esquerda desempenha um papel fundamental no debate democrático, e merece respeito. Mas um foco claro nas mazelas de certos segmentos da esquerda, que servem e sustentam o projeto de poder de Lula e do PT, certamente existirá. Infelizmente, uma dissecação da indigência intelectual desses grupos, que eu chamo de Esquerda Podre, provavelmente atingirá alguns conceitos queridos (embora não necessariamente fundamentais) do que podemos chamar de Esquerda Sadia. Mas infelizmente, não posso fazer nada a respeito.

Convido a todos os leitores do "Livre Pensamento" a lerem o verdadeiro libelo que o Augusto de Franco escreveu, e refletirem a respeito da importância das suas palavras. O futuro da democracia brasileira pode depender disso.

7 Comments:

At segunda-feira, novembro 07, 2005 9:49:00 AM, Blogger Marco Aurélio Antunes said...

Quero destacar este trecho: "Uma parte significativa da esquerda desempenha um papel fundamental no debate democrático, e merece respeito." Estou de acordo. Reconhecer isso é importante, pois não há democracia sem pluralismo.
Hoje em dia, a maior parte dos inimigos da liberdade está na esquerda. No entanto, é bom lembrar que, assim como existe uma esquerda sadia e uma esquerda podre, há também uma direita sadia e uma direita podre.
Entendo a sua decisão de escrever mais sobre as questões atuais, já que no governo do PT são inúmeros os fatos que merecem a nossa crítica. No entanto, não deixe de abordar as questões teóricas, que são fundamentais para entender a realidade.
Um abraço.

 
At segunda-feira, novembro 07, 2005 10:25:00 AM, Anonymous Ricardo Alexandre da Silva said...

Luiz:

De fato, num momento tão grave o pensamento crítico conjuntural deve ocupar todas as trincheiras, mormente quando se nota o esforço dos sicofantas em ocultar a realidade mediante misticismo retórico.

Quando um extrato do que há de pior na política assalta o Estado de maneira tão desavergonhada; quando se nota que a inteligência nacional permanece em sua maioria narcotizada, embalada em sua vulgar utopia; quando o pensamento crítico é toldado pela mistificação; quando as conquistas democráticas brasileiras sofrem cotidianamente o escárnio dos setores mais retrógrados da política, é preciso priorizar a conjuntura e defender a democracia.

Com todo o meu apoio, Luiz. Na resistência com o Livre Pensamento !!!

Abraços cordiais,
Ricardo Alexandre da Silva.

 
At segunda-feira, novembro 07, 2005 7:49:00 PM, Anonymous Christiano Milfont said...

Acho que aquela frase de Tito Livio se encaixa nesse contexto:

"A guerra é justa quando necessária, e as armas benevolentes quando só nelas residir a esperança" :d

é hora para a guerra mesmo, nunca o país sentiu tanta necessidade de debater as mazelas que interropem nossa entrada no mundo desenvolvido, moro no suburbio e tenho presenciado a necessidade das pessoas em querer se informar, discutir, ou no minimo se indignar(algo bem esquecido de se fazer nesse pais).

 
At segunda-feira, novembro 07, 2005 9:24:00 PM, Anonymous Litha said...

Vai voltar pro BRASIL?
Não faça isso!
Isso aqui tá um ingerno!

 
At quarta-feira, novembro 16, 2005 9:14:00 AM, Anonymous Márcia said...

Luiz,
tenho lido seus artigos, mas confesso que muitos termos ainda são estranhos para mim, que comecei agora a ler sobre assuntos econômicos e políticos. Será que você poderia criar no seu blog uma área exclusiva para aqueles que estão começando a ler esses artigos, com conceitos iniciais sobre LIBERALISMO, NEO-LIBERALISMO, SOCIAL-DEMOCRACIA, WELFARE-STATE, etc? Isso nos daria mais subsídios para a leitura dos demais artigos. Grata.

 
At quarta-feira, novembro 16, 2005 9:18:00 PM, Anonymous Anônimo said...

Luiz, nesse exato momento, quando toda a economia situa-se no limite da racionalidade cartesiana, compartilho mais uma vez de seu pensamento, fundamental para um bom questionamento.
O Senador Jefferson Peres disse ter recebido uma espécie de "imunização política" quando adentrou aos meios políticos. Trata-se, segundo ele, da
"tríplice-vacina" que o protege contra a praga da corrupção, do oportunismo e da demagogia. Interessante comparação. É como se o senador convivesse diariamente entre indivíduos politicamente infectados. Quando produziremos
uma vacina que apresente mecanismos eficientes no combate à epidemia político-esclerosada e particularmente virulenta que atravessamos ?
Ps: "Nunca diga nunca..." por favor...
Saudações,
Kate Miller

 
At domingo, novembro 20, 2005 7:47:00 PM, Blogger Luiz Simi said...

Márcia,

vou ver o que posso fazer. Se quiser, você também pode me mandar um e-mail e eu tento esclarecer o que for possível: luiz_simi@hotmail.com.

Kate,

Boa pergunta. Vacina acho que nao tem como, a democracia só consegue, infelizmente, gerar anticorpos... o que significa que só ficamos imunes a uma dessa doencas depois de sofrer com ela e, finalmente, vencê-la.

 

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