quarta-feira, novembro 30, 2005

Não Custa Repetir: Não Existe Almoço Grátis

O Alex Castro, do conhecido Liberal, Libertário e Libertino, escreveu um interessantíssimo (e longo, mas bastante digerível) artigo sobre a polêmica que assola a internet brasileira (e a blogoseira em especial) toda vez que um provedor de algum serviço que sempre foi gratuito decide cobrar por ele. E mostra com um excelente misto de humildade, experiência pessoal, entendimento da realidade do mundo dos negócios e boa base em economia como a indignação de certos internautas não apenas é injustificável do ponto de vista prático, como moral e lógicamente indefensável.

Concordo com o Alex Castro em gênero, número e grau. Não acrescentaria uma vírgula sequer à argumentação dele. Quem acha que têm "direito" à alguma coisa gratuitamente simplesmente porque alguém resolveu dá-la de presente não têm a menor idéia do que "direito" realmente significa.

Mas diria que esse tipo de indignação é um sinal inquietante do que costuma se chamar de "cultura da reclamação". Sob muitos aspectos, o avanço da visão social-democrata de "direitos" (que transforma certas comodidades e serviços prestados pelo Estado, dentro de certas circunstâncias econômicas, sociais e históricas, em "direitos" eternos, incontestáveis e sacrosantos) ajuda a gerar essa visão. Soma-se a isso uma satanização do lucro e da atividade empresarial, e voilá!, temos o discurso indignado dos internautas que, confundindo a generosidade eo interesse comercial das empresas que oferecem serviços gratuitos com liberdade de expressão, atacam aquilo que é, na verdade, a coisa mais natural do mundo: o desejo de alguém que dedica tempo, esforço e trabalho para produzir alguma coisa que satisfaça as necessidades e desejos das outras pessoas de ser recompensado por isso.

Obviamente adoro usar coisas boas que são oferecidas gratuitamente, mas entendo que isso não é direito nenhum meu, apenas uma oportunidade que me é concedida por seja lá quem for o dono do produto ou serviço. Se gostar dele, e quiser continuar usando, tenho mais é que pagar por ele mesmo. Isso não quer dizer, claro, que concordo com os preços que são cobrados por certos produtos: não pago, nem sob tortura, o que a Microsoft pede pelo MS Office. Mas recuso-me a fazer pirataria por considerá-la imoral: é por isso que uso o Star Office e não o MS Office, por exemplo; como consumidor, eu tenho o direito de recusar um produto que considero abusivamente caro, e de usar outro que me pareça oferecer mais valor pelo meu dinheiro. Mas não tenho o direito, de forma alguma, de usar o produto sem pagar por ele. Mesmo tendo a oportunidade de fazê-lo.

Careta? Provavelmente. Mas é assim que funciona comigo. Para o bem e para o mal, meu respeito pelo trabalho alheio não me permite explorá-lo em nome de "direitos" inexistentes. Chamar acesso gratuíto a produtos de qualquer espécie de "direito" é uma forma de entronizar a cobiça e explorar o trabalho dos outros. Exatamente aquilo que muitos dos que querem tudo de graça acusam as "grandes corporações" de fazer...

Pé no chão, pessoal. Não existe almoço grátis, nunca existiu, e mais importante, nunca existirá. Está na hora de aposentar esse discurso desbotado e encarar a realidade.

11 Comments:

At quarta-feira, novembro 30, 2005 7:18:00 PM, Anonymous joca said...

Perfeito. Perfeito seu post.
Cidadania de direitos, quando n�o oferecem limites e n�o estabelecem deveres, transformam o direito dos desinformados e do -pena, cada vez maior- contingente de aproveitadores- dogmatistas da "lei de Gerson"- em obriga��es de outros. � o proselitismo criando vagabundos e esmoleres. � a democracia atirando no pr�prio p�

 
At quarta-feira, novembro 30, 2005 10:36:00 PM, Blogger Luli said...

Estava navegando e vim parar aqui (Altavista, liberdade de pensamento). Gostei muito!
saudações

 
At sexta-feira, dezembro 02, 2005 6:17:00 AM, Blogger Claudio said...

http://oll.libertyfund.org/Texts/LiteratureOfLiberty0352/BibliographicEssays/BarrySpontaneousOrder.pdf

o hotmail, como sempre....

 
At sábado, dezembro 03, 2005 10:17:00 PM, Blogger Cavalcanti said...

Mas você tem que concordar que dá UM TRABALHO DANADO pra encarar a realidade, principalmente quando se vive na Selva Tupiniquim...
(Até eu achei que escrevi besteira agora, mas não vou apagar porque ficou BEM brasileiro.)
Abraço.

 
At domingo, dezembro 04, 2005 11:03:00 PM, Anonymous Aluizio Amorim said...

Luiz,
entrei no seu blog pela primeira vez e gostei. E concordo com vc no que se refere à gratuidade de serviços e produtos. Isto não existe e não pode existir. Vejo que vc mora na Alemanha. Estive há algum tempo nesse país que considero dos melhores. A Alemanha produziu o nazismo, mas em compensação foi o berço de Kant, de Max Weber, de Einstein e de mais um bom punhado de intelectuais fantásticos. Inclusive Marx, que tem um importante contributo no que tange à economia, com o seu Das Kapital, ainda que possamos discordar dele.
Finalmente, uma pergunta: vale a pena vc retornar ao Bananão?
Cordial abraço do
Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

 
At segunda-feira, dezembro 05, 2005 8:12:00 AM, Blogger Luiz Simi said...

Cavalcanti,

é verdade, no bananao é tudo mais complicado, mas isso nao pode ser desculpa. Senao, caímos na síndrome de Macunaíma...

Aluízio,

nao é uma questao de valer a pena ou nao. Vim para a Alemanha com um contrato de dois anos, que acaba agora, no fim de dezembro. Ou seja, nao é exatamente uma questao de ecolha...

A Alemanha é realmente muito legal, gosto muito daqui. Voltaria se tiver a oportunidade. Mas é uma fase na minha vida que se encerra. Bola para frente.

Nao estou triste de voltar ao Brasil. O simples fato de que fui poupado de vivenciar na pele metade do mandato do Supremo Apedeuta já é um bonus que, acredito eu, milhoes de brasileiros gostariam de ter tido...

 
At terça-feira, dezembro 06, 2005 9:15:00 PM, Anonymous Andréa Patrícia said...

Luiz, ótimo post. É para parar pra pensar.

Beijos!

Muita Luz!!!

 
At sábado, dezembro 31, 2005 4:21:00 PM, Anonymous simples said...

O tempo gasto em aprender, resolver problemas, xingar os programadores dessa colcha de retalhos que é o software livre, é dinheiro também.
Quem tem dinheiro para comprar um computador, provavelmente tem dinheiro para comprar Windows e o Office mais básico (Word+Excel+Outlook). A maioria absoluta dos usuários nunca abriu o Access, nem vai precisar fazer nada com Powerpoint (pode baixar um visualizador grátis da própria MS).

 
At terça-feira, fevereiro 06, 2007 9:23:00 PM, Anonymous Anônimo said...

Best regards from NY! » » »

 
At quarta-feira, fevereiro 21, 2007 10:27:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Very cool design! Useful information. Go on! » » »

 
At terça-feira, agosto 16, 2011 12:04:00 PM, Blogger Luís Carlos said...

Caro:

Posso publicar o artigo " Não Custa Repetir: Não Existe Almoço Grátis" em meu site? O www.informeaccess.com.br

Obrigado

Luís Carlos

 

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